GPA terá novo supermercado para competir com micro mercado regional – 13/06/2018 – Mercado Aberto


 

O Grupo Pão de Açúcar vai lançar um modelo de micro mercados regionais com foco nos públicos B e C. Para isso, a companhia reativará a marca Compre Bem, adquirida tempos atrás, e reformará supermercados Extra.

“Temos 187 lojas do Extra. Entre 80 e 100 delas são adequadas a esse perfil para competir com os supermercados de bairro”, diz Peter Estermann, presidente do Grupo Pão de Açúcar, indicado em fevereiro para o cargo.

Antes à frente da Via Varejo, que continua à venda, o executivo substituiu Ronaldo Iabrudi, atual co-vice-presidente do conselho de administração do grupo.

A maior parte das unidades do novo formato ficarão em São Paulo.

“A competição regional muito forte no estado [onde estão muitas lojas Extra] reforçaram a escolha da marca Compre Bem, que estava estacionada, e tem percepção de preços acessíveis”, segundo Estermann.

O projeto começará com 20 unidades. Até o último trimestre deste ano, dez lojas Extra serão convertidas em Compre Bem: cinco na Grande São Paulo, quatro no interior e uma no litoral do Estado. 

Outras dez serão adaptadas até o final do primeiro trimestre de 2019. Estermann ainda não abre dados de investimentos, nem de estimativa de faturamento adicional.

“Estamos fazendo os orçamentos. A transformação começará até o final de julho. Essas lojas reabrirão com novo visual, outras cores.” Supermercados menores de bairros cresceram durante a crise.

“São mais ágeis, tem bom atendimento em certas categorias e portfólio mais adequado à cada região.” As novas unidades seguirão a receita.

O sortimento será reduzido de 10 mil produtos (do Extra)para 7 mil, numa área de cerca de 1.500 m2. 

“Será uma oferta adaptada às demandas daquela micro região, mais flexível a mudanças de hábitos.”
O modelo atuará com ênfase em frutas, verduras e legumes, padaria e açougue, categorias vinculadas à maior frequência na loja.

No próximo ano, o grupo terá um projeto de expansão do Minuto Pão de Açúcar. “Estamos ajustando a companhia para, quando passar a crise, investir em outros modelos.” 

A paralisação dos caminhoneiros não “afetou muito”, apesar de ter impactado nos últimos dias de maio e começo de junho, diz. “Nossa equipe foi muito rápida, já praticamente voltamos à normalidade e não afetará o desempenho no trimestre.” 

Apesar da piora da expectativa para o PIB deste ano, Estermann não reviu números do GPA. “Estamos preparados para entregar os resultados que nos propusemos a entregar.” A companhia não informa quanto deverá crescer. 

Grupo GPA

R$ 12,3 bilhões
Foi a receita bruta no primeiro tri, alta de 7,6% em relação a 2017

R$ 591 milhões
Foi o Ebidta nesse período, uma melhora de 17,4%

R$ 3,12 bilhões
É a divida; o custo dela melhorou com a redução do CDI ao longo do ano passado

 

Indústria de calçados pode fechar 2018 com números negativos

A produção de calçados neste ano caiu 1,7% no acumulado até o mês de abril, segundo a Abicalçados, que representa os fabricantes.

“A demanda está reprimida, e a entrega de produtos para exportação já se encerrou, pelo menos para a América Latina, o que derruba bastante a atividade”, diz Heitor Klein, presidente da entidade.

A tendência é de um agravamento da retração nos próximos meses, principalmente devido aos efeitos da paralisação dos caminhoneiros. O movimento afetou cerca de 90% das linhas fabris analisadas pela associação.

Ainda há plantas trabalhando em ritmo mais lento, mas toda a operação deverá se normalizar até o final desta semana, afirma o executivo.

“Algumas empresas ainda estão por receber ou por distribuir insumos, particularmente na região Nordeste, em que plantas são parcialmente abastecidas por fornecedores localizados no Sul.”

A alta recente do câmbio, que favorece exportadores, não teve impacto na indústria porque encomendas feitas por compradores estrangeiros só começarão de forma mais acelerada a partir de setembro, segundo Klein.

 

Sorte… A receita com vendas de títulos de capitalização nos primeiros quatro meses foi 8,1% maior neste ano que em 2017. Em valores nominais, foram R$ 6,8 bilhões. Os dados são da FenaCap.

…ou revés A alta é resultado de uma combinação de melhora discreta da economia com incertezas, que fazem com que grandes decisões de consumo sejam postergadas, diz Marco Antonio Barros, presidente da entidade.

 

Acima de zero

A recuperação de crédito —quantidade de inadimplentes que quitaram suas dívidas e limparam seus nomes— medida pelo Boa Vista melhorou em 3,2% em maio deste ano, em relação a abril.

Isso se deve a dois fatores: a renda das pessoas, que subiu com queda do desemprego e com uma inflação abaixo da meta, e às taxas de juros mais baixas, segundo o economista da agência, Flávio Calife.

A comparação dos últimos 12 meses com o mesmo período antecedente é desfavorável, mas tende a ser positiva no futuro próximo, diz Califa. O número é 2,6% negativo.

“Se a recuperação econômica for mais dinâmica, a recuperação de crédito deve mudar de sinal. Uma queda de spread bancário deve ter um efeito parecido”, afirma.

Números de inadimplência têm um efeito nos valores dos juros —portanto, pode haver uma espiral positiva.  

 

 

com Felipe Gutierrez, Igor Utsumi, Ivan Martínez-Vargas e Diana Lott ​