Proposta da Rússia à Opep sobre petróleo contempla somente 3º trimestre – Notícias


O ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, afirmou neste sábado que a proposta que o país vai levar na semana que vem à cúpula do Opep+ – grupo que reúne os 14 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e 10 aliados – contempla o aumento da exploração do óleo somente no terceiro trimestre deste ano.

A proposta de Novak abarca o aumento da produção em 1,5 milhão de barris por dia. “Primeiramente, queremos aumentar a produção apenas no terceiro trimestre. Em setembro, vamos monitorar a situação do mercado e decidir o que deve ser feito adiante”, afirmou o ministro em visita à Arábia Saudita, segundo relato da agência russa Tass.

O Opep+ foi formado em 2016 e é informalmente liderado por Arábia Saudita e Rússia – aliada, mas não membro do cartel. Para elevar os preços internacionais do barril do petróleo, o acordo estabeleceu a redução em 1,8 milhão de barris da produção diária dos signatários, distribuídos em cotas individuais. O acerto diz ainda que todas as medidas a serem tomadas pelo grupo têm de ser unânimes.

A parceria foi bem-sucedida e o preço do barril saltou para o nível de US$ 70, depois de aproximar dos US$ 25. Porém, diante da forte redução da produção da Venezuela e da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, alguns membros do Opep+ viram espaço para recomposição das exportações.

Segundo Novak, caso seja aprovado no encontro que começa em 22 de junho, o acordo vai oferecer a todos os países membros possibilidades iguais para aumento de produção. “Acho que será justo distribuir volumes proporcionalmente às cotas de redução”, explicou o ministro.

ENTREVISTA-Refino de petróleo terá mais competidores, diz coordenador de programa de Ciro; câmbio deve ter mais previsibilidade – Notícias


Por Iuri Dantas e Brad Haynes

SÃO PAULO (Reuters) – O programa de governo do principal pré-candidato de centro-esquerda nas eleições presidenciais deste ano, Ciro Gomes (PDT), prevê abertura do setor de refino de petróleo à concorrência, com alienação de ativos da Petrobras e permissão para que empresas privadas construam novas refinarias, bem como prevê que o BNDES volte a ter perfil de banco de fomento com taxa de juro mais barata.

Além disso, segundo o economista Nelson Marconi, coordenador do programa de governo de Ciro, a plataforma prevê uma atuação do Banco Central no mercado de câmbio que gere mais previsibilidade, em intervenções para que a cotação fique em torno de um determinado patamar, além de um rearranjo de receitas e despesas com o objetivo de reduzir rapidamente a dívida pública.

Os tópicos foram destacados à Reuters pelo coordenador de programa do pré-candidato, que vem despontando como a alternativa dos eleitores mais de esquerda em pesquisas quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso há mais de dois meses, fica fora dos cenários.

“˜Refino, pelo amor de Deus, não precisa ser monopólio da Petrobras, que não deixa ninguém entrar neste mercado”, afirmou na noite de terça-fera Marconi, de 53 anos, doutor em economia e professor da Fundação Getúlio Vargas.

“Do ponto de vista do refino, a gente quer absolutamente aumentar a competição… Você fica menos dependente de petróleo refinado importado”, acrescentou.

Prevista em lei desde 1997, a abertura do setor de refino nunca aconteceu na prática, levando a Petrobras a exercer um monopólio que define preços para todas as distribuidoras de combustíveis do país.

“A tecnologia que as refinarias usam na Petrobras está meio defasada”, disse Marconi. “Então tem que estimular de alguma forma o surgimento de outras refinarias com tecnologia que, inclusive, baixam os custos de produção.”

A Petrobras pretende vender 60 por cento de sua capacidade de refino no país e no fim de abril lançou o projeto de se desfazer de quatro unidades, para criar dois pólos de refino no Nordeste e Sul do país. A venda de ativos da estatal, porém, enfrenta protestos de petroleiros e foi alvo do Tribunal de Contas da União (TCU).

Marconi disse ainda que a proposta para uma nova política de preços da Petrobras não está fechada, mas adiantou como pressupostos a remuneração do capital e cobertura de custos, além da decisão de que a estatal não deve transferir para o consumidor as flutuações dos preços do petróleo e do câmbio no dia a dia.

A política de preços da Petrobras, com aumentos mais frequentes em linha com a cotação internacional do petróleo, foi apresentada pelo governo como uma forma de atrair investimentos para o setor, após forte intervenção estatal durante a gestão Dilma Rousseff. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) abriu consulta pública sobre os repasses ao consumidor, numa tentativa de regular o tema.

O alto preço do diesel foi o estopim de uma greve de caminhoneiros que durou 11 dias, em maio, e provocou desabastecimento no país todo. A crise levou o então presidente da empresa, Pedro Parente, a pedir demissão do cargo.

Maior estatal do país, a Petrobras pode impulsionar o crescimento econômico também via política de compras governamentais de produção local, citou ele, elencando também o setor de saúde como outro caminho para a iniciativa.

Ele também defendeu que as reservas de petróleo são ativo estratégico e devem ficar com a Petrobras e que contratos fora do modelo de partilha serão revistos e indenizados.

CÂMBIO

A forte turbulência no mercado cambial levou o dólar a um patamar “relativamente certo”, “ao redor de 3,80 reais”, na visão do economista, e um eventual governo Ciro buscaria dar mais previsibilidade sobre esse mercado com atuações do BC e criação de um fundo soberano para suavizar os fluxos comerciais.

“Sobre o tripé (econômico), os vértices podem não ser os mesmos… o câmbio não é mais tão flutuante”, disse Marconi, que na década de 1990 foi assessor econômico do Ministério da Administração e Reforma do Estado e depois coordenou a área de recursos humanos no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

“Tem que ter uma certa previsibilidade, tem que diminuir essa variância do câmbio.”

Outra forma de conter a volatilidade cambial no Brasil seria reduzir os atrativos para o capital especulativo por meio de um menor diferencial da taxa de juros nacional em relação à internacional. Na avaliação de Marconi, o caminho mais indicado é adotar instrumentos conhecidos, como swap cambial, leilão de linha e uso de reservas e evitar medidas pouco usuais.

“A gente está buscando não usar controle de capitais, esse tipo de coisa, porque aí sim dá ruído no mercado”, afirmou. “A gente prefere que o BC faça intervenção.”

A solução para atingir um câmbio “competitivo” para exportadores seria um controle rígido das contas públicas e da dívida nacional, explicou o economista. “Nossa variável de ajuste vai ser o fiscal, tem que ser o fiscal, este modelo todo funciona se tiver o fiscal em ordem.”

Ainda na esfera do BC, o economista defende pessoalmente a adoção de duplo mandato, com meta de emprego e inflação, mas que o sistema de metas permita absorção mais racional de choques de preços. Isso poderia ocorrer, explica Marconi, alterando o horizonte de convergência da inflação para o objetivo e estabelecendo o alvo como a evolução acumulada em 12 ou 24 meses, em vez do ano calendário como é feito hoje.

BNDES

A equipe do pedetista também avalia que é preciso retomar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), recentemente substituída pela Taxa de Longo Prazo (TLP) como referência nos empréstimos do BNDES, para estimular investimentos em infraestrutura, e reduzir o ritmo de desembolsos do banco de fomento para o Tesouro Nacional.

A TJLP é uma taxa de juros subsidiada e, assim, menor do que as praticadas pelos mercados. Já a nova TLP tem uma estrutura parecida com os juros de mercado, vinculada a títulos públicos atrelados à inflação, e foi uma medida adotada e bastante comemorada pelo governo do presidente Michel Temer.

“Colocar uma taxa de juros associada a um título da dívida, que oscila, para quem vai fazer investimento, não tem lógica”, afirmou Marconi.

Ele defendeu também que é preciso reduzir os repasses do BNDES ao Tesouro e que o banco capte recursos via debêntures e outro mecanismos para se sustentar. Só neste ano, o BNDES antecipará o pagamento de 130 bilhões de reais à União para ajudar no ajuste fiscal.

A candidatura Ciro representa uma iniciativa “progressista” e de “centro-esquerda”, afirma Marconi, ressaltando a importância de aprovar a reforma da Previdência, as mudanças fiscais e tributárias, ao mesmo tempo em que retoma investimentos públicos em áreas típicas de Estado, como educação e saneamento. No ano passado, foram comprometidos 357,4 bilhões de reais em subsídios no Orçamento.

FISCAL

Marconi explica que o eventual governo de Ciro faria um corte de despesas correntes e tributação de lucros e dividendos, além da criação de novo imposto sobre movimentação financeira para transações acima de um determinado valor, que ainda está sob estudo na campanha.

“A gente vai colocar um imposto sobre lucros e dividendos e reduzir a tributação na pessoa jurídica para compensar, mas provavelmente vai ter algum ganho líquido de arrecadação”, afirmou. “E a gente vai fazer algum imposto também sobre movimentação financeira, até reduzir a dívida e chegar num determinado patamar.”

Outra iniciativa será o corte dos subsídios no Orçamento federal em 15 por cento já em 2019, criando espaço para retomada de investimentos públicos na construção de escolas e saneamento básico. A área de logística e infraestrutura também deve receber aportes do poder público, mas em menor medida, uma vez que serão retomados projetos de concessão à iniciativa privada paralisados durante o governo Temer, disse Marconi.

Os mercados financeiros não veem Ciro com bons olhos, com avaliações de que ele poderia adotar medidas populistas e com pouca preocupação fiscal. Para Marconi, que mantém contato frequente com economistas do mercado, ao fortalecer a esfera produtiva, o mercado financeiro também será beneficiado.

“O Ciro é uma pessoa que tem experiência administrativa grande, foi governador (do Ceará), prefeito (de Fortaleza), ministro”, afirmou ele. “Tem experiência e nunca fez nenhuma loucura, pelo contrário”, acrescentou.

“Acho que (a visão sobre Ciro) tem mudado mais rápido em relação ao meio empresarial. Eles percebem que estamos falando o tempo todo que estamos defendendo eles”, disse. “Não estamos fazendo aqui uma revolução socialista, pelo contrário, queremos que gerem mais emprego.”

Trump e Irã se estranham sobre preços do petróleo antes de reunião da Opep – Notícias


WASHINGTON/LONDRES (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Irã trocaram farpas sobre os preços do petróleo nesta quarta-feira, com Trump culpando a Opep pela alta dos preços da commodity e Teerã acusando-o de estimular a volatilidade depois de ter saído do acordo global de armas nucleares no mês passado.

Trump começou o mais recente toma-lá-da-cá quando reiterou seu ataque à Opep em um tuíte que dizia que os preços do petróleo estavam muito altos e o cartel estava “de volta.”

Os preços do petróleo subiram cerca de 60 por cento no último ano depois que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e alguns produtores não-membros, incluindo a Rússia, começaram a reduzir a oferta em 2017. O cartel se encontrará em 22 e 23 de junho em Viena, e deve começar a aumentar a produção, talvez antes da validade dos limites no fim do ano.

O governador iraniano da Opep, Hossein Kazempour Ardebili, contra-atacou Trump em declaração à Reuters. “Você não pode instituir sanções em dois membros-fundadores da Opep e ainda assim culpar a Opep pela volatilidade dos preços”, ele disse, se referindo ao próprio país e à Venezuela. “Isso são negócios, Sr. Presidente, nós achávamos que você sabia disso.”

O acordo de oferta de petróleo continuará até o fim de 2018, mas os planos para a sua continuação são incertos. O cálculo mudou depois de Trump ter anunciado em maio que Washington estava se retirando do acordo de 2015 que restringia o programa nuclear do Irã.

A decisão dos EUA tem pressionado clientes europeus e asiáticos a parar de importar petróleo do Irã ou negociar com o país. A Arábia Saudita, rival do Irã e maior produtor da Opep, e a Rússia, maior produtor do mundo e integrante do acordo, já aumentaram a oferta. A Arábia Saudita apoiou a decisão de Trump de sair do acordo nuclear com o Irã.

(Por Susan Heavey, Doina Chiacu e Alex Lawler; Reportagem adicional por Jessica Resnick-Ault)

IEA mantém estável projeção de demanda por petróleo, mas alerta sobre oferta da Opep – Notícias


Por Amanda Cooper

LONDRES (Reuters) – A demanda por petróleo deverá manter em 2019 o ritmo de crescimento visto neste ano, graças a uma sólida economia global, mas o mundo pode enfrentar uma escassez no final do próximo ano, se a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não cobrir eventuais déficits de suprimento, alertou nesta quarta-feira a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

O relatório serve como um alerta para os maiores exportadores globais, que vão se reunir na próxima semana em Viena para discutir suas políticas de fornecimento.

A IEA disse que espera que a demanda global por petróleo aumente em 1,4 milhão de barris por dia em 2019, para superar 100 milhões de bpd no segundo trimestre.

A agência espera que a demanda cresça no mesmo ritmo neste ano, em previsão estável ante seu relatório de maio.

“Um sólido pano de fundo econômico e a assunção de preços mais estáveis são fatores-chave. Riscos incluem a possibilidade de preços mais altos e interrupções no comércio. Alguns governos estão considerando medidas para aliviar pressões de preços sobre os consumidores”, disse a agência com sede em Paris em relatório seu mensal.

“Existe a possibilidade de uma revisão para baixo em nossas previsões econômicas para os próximos meses. A economia global está sentindo algum impacto devido aos elevados preços do petróleo.”

Os preços do petróleo subiram em um terço, para cerca de 76 dólares o barril, perto de um pico atingido no final de 2014, desde que a Opep e outros produtores, como a Rússia, começaram a cortar a produção em janeiro de 2017.

A IEA disse que vê um cenário em que a produção do Irã e da Venezuela pode estar 1,5 milhão de bpd menor que hoje, devido à crise venezuelana e sanções dos EUA aos iranianos.

“Se os outros 12 membros da Opep forem continuar bombeando ao mesmo ritmo de maio, uma potencial escassez poderia surgir e levar a uma queda nos estoques de mais de 1,6 milhão de bpd no quarto trimestre de 2019”, afirmou o relatório.

No Twitter, Trump reclama de “preços altos” do petróleo – Notícias


O presidente dos EUA, Donald Trump, reclamou hoje que os preços do petróleo “estão muito altos”.

“A Opep está aprontando de novo. Isso não é bom!”, disse Trump em sua conta oficial no Twitter, referindo-se à Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Por um acordo que está em vigor desde o começo do ano passado, a Opep e dez grandes produtores que não integram o cartel têm buscado reduzir sua produção combinada em cerca de 1,8 milhão de barris por dia, numa tentativa de conter um excesso de oferta que vinha pesando nas cotações do petróleo desde 2014. O pacto, que ajudou a impulsionar os preços do petróleo em mais de 40%, deverá expirar no fim de 2018.

Em reunião marcada para o próximo dia 22, em Viena, a Opep e aliados irão discutir o acordo. Recentemente, autoridades sauditas e russas sinalizaram o desejo de encerrar o pacto antes do previsto, diante de ameaças à oferta da Venezuela e do Irã.

AIE prevê que economia global forte irá impulsionar demanda por petróleo em 2019 – Notícias


O apetite mundial por petróleo deverá continuar robusto até o fim do próximo ano, segundo avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE).

Em relatório mensal publicado nesta quarta-feira, a AIE apresentou pela primeira vez sua previsão de demanda para 2019, estimando que o aumento na procura por petróleo será de 1,4 milhão de barris por dia (bpd), semelhante ao deste ano. Parte significativa do avanço se deverá à demanda do setor petroquímico, diz a agência.

“Combinado com o forte crescimento econômico, o desenvolvimento da indústria petroquímica mundial irá sustentar o aumento na demanda por petróleo”, afirma o documento.

A AIE, no entanto, alertou que há riscos que podem comprometer suas projeções. “(Esses riscos) incluem a possibilidade de preços mais altos, enfraquecimento da confiança na economia, protecionismo comercial e uma possível valorização adicional do dólar americano”, diz a agência, que tem sede em Paris e presta consultoria a governos e empresas sobre tendências na área de energia.

Ainda no relatório, a AIE estima que o avanço da oferta fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) diminuirá de 2 milhões de bpd este ano para 1,7 milhão de bpd em 2019. Os EUA têm exibido “de longe” o maior ganho e deverá responder por cerca de 75% do aumento na oferta fora da Opep neste e no próximo ano, calcula a agência. O documento, porém, destaca que gargalos logísticos e de infraestrutura devem limitar parte do crescimento da produção americana, que é impulsionada pelo óleo de xisto.

A AIE afirma que a produção da Opep subiu 50 mil bpd em maio, a 31,69 milhões de bpd. O resultado é atribuído principalmente à Arábia Saudita, considerada líder informal do cartel. Em relatório divulgado ontem, a Opep estimou o acréscimo na sua produção do mês passado em 35 mil bpd, também graças à oferta saudita.

A alta na produção da Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo, vem antes de uma importante reunião da Opep marcada para o próximo dia 22, em Viena. No encontro, Opep e outros grandes produtores que não pertencem ao cartel, incluindo a Rússia, deverão discutir a possível ampliação da oferta do grupo.

Por um acordo que está em vigor desde o começo do ano passado, Opep e aliados têm reduzido sua produção combinada em cerca de 1,8 milhão de bpd, numa tentativa de conter um excesso de oferta que vinha pesando nas cotações do petróleo desde 2014.

O pacto, que ajudou a impulsionar os preços do petróleo em mais de 40%, deverá expirar no fim de 2018. No entanto, riscos geopolíticos que ameaçam a oferta do Irã e da Venezuela – ambos membros da Opep – ajudaram o petróleo tipo Brent a superar temporariamente a marca de US$ 80 por barril no mês passado, levando sauditas e russos a expressarem o desejo de encerrar o acordo antes do previsto.

Também no documento de hoje, a AIE diz que os estoques comerciais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – entidade formada por países industrializados com forte consumo de petróleo, incluindo os EUA – atingiram em abril uma nova mínima em três anos, de 2,809 bilhões de barris. Esse patamar está 27 milhões de barris abaixo da meta da Opep de alcançar a média dos últimos cinco anos, segundo a agência. Fonte: Dow Jones Newswires.

Macaé, líder em royalties de petróleo, quer plano para diminuir as taxas – 10/06/2018 – Mercado Aberto


O prefeito de Macaé (RJ), Aluízio dos Santos Júnior (MDB), quer que a taxa de royalties dos campos de óleo que estão em declínio seja reduzida quando a produção atingir um determinado volume.

Royalties são compensações às cidades pela exploração de um bem mineral na área delas.

À medida que os poços envelhecem, custa mais para tirar o óleo, e as petroleiras evitam os campos maduros. A redução dos royalties tornaria essa extração mais competitiva.

Há uma proposta da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em consulta, para mudar o cálculo da taxa nesses casos. “Propusemos uma redução na curva incremental: por exemplo, o que exceder 1 milhão de barris gerará um valor mais baixo”, diz Aluízio.

Macaé é o município que mais recebeu dinheiro dessa origem em 2018 —foram R$ 210 milhões. A atividade industrial ligada à Bacia de Campos está concentrada lá, diz, e uma saída das petroleiras representaria perdas significativas.

Outras cidades beneficiadas pela Bacia, mas sem presença forte desse setor não têm esse incentivo, afirma. “Não há consenso entre os prefeitos.”

As reservas em terra no Nordeste também começam a declinar, diz Alejandro Duran, da Abespetro (das prestadoras de serviços). “Somos favoráveis a baixar os royalties porque a medida ativaria nosso setor.”

 

Após paralisação, empresas buscam advogados por indenizações

Empresas afetadas pela paralisação dos caminhoneiros começaram a procurar escritórios de advocacia para obter indenizações pelo não recebimento de mercadorias.

“Atores da indústria automotiva e do comércio exterior, por exemplo, têm nos consultado para avaliar se é possível demonstrar que houve dano e que há um responsável pelo problema”, diz Fabio Alem, sócio do Veirano.

Boa parte das empresas ainda contabiliza as perdas, mas algumas já avaliam litigar pelos valores, segundo Helena Abdo, do Cescon Barrieu.

“Um cliente do setor de produtos alimentícios previu prejuízo de R$ 20 milhões, por exemplo”, afirma.

A orientação até o momento tem sido evitar litígios porque os prejuízos ocorreram por motivos de força maior, diz Eliane Carvalho, sócia do Machado Meyer.

Em alguns casos, porém, esse princípio não se aplica, afirma Tiago Zapter, sócio do escritório Trench Rossi Watanabe, que também recebeu consultas.

“Tivemos alguns casos em que se conseguiu uma liminar para liberar a carga, mas, quando a polícia chegou ao local, não havia bloqueio.”

 

Chega de expansão

A Almaviva, de call centers, recebeu cerca de R$ 280 milhões de uma captação feita pela sua matriz na Itália.

O aporte foi usado para trocar as dívidas curtas no Brasil por outras mais longas no exterior e para reforçar o caixa para aquisições, afirma o diretor-geral Alberto Ferreira.

“Somos uma empresa com receita de R$ 1 bilhão e chegamos a um ponto em que não há como crescer mais de forma orgânica [sem aquisições].”

A Almaviva tem dois possíveis alvos de compra sob avaliação neste momento. 

“Procuramos empresas que faturem pelo menos R$ 100 milhões. Algo menor que isso daria tanto trabalho para incorporar que não valeria a pena”, afirma Ferreira.

Tornou-se necessário reduzir a representatividade do setor de telecomunicações, responsável por dois terços do faturamento atual, diz

“Clientes muito grandes, como os de telecom, possuem volume, mas trazem uma rentabilidade menor.”

30 MIL
são os funcionários

 

Pequenas endividadas

O número de micro e pequenas empresas inadimplentes cresceu 8,9% em março deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Serasa.

O baixo crescimento econômico de 2017 e dos primeiros meses de 2018 não conseguiu impulsionar os setores de serviços e comércio, nos quais mais de 90% dessas empresas atua, afirma Luiz Rabi, economista do birô.

O índice vem de um ciclo de altas sucessivas mensais. A projeção inicial para este ano era de queda, mas foi frustrada pela incerteza política e pelo aumento do desemprego, que afeta o consumo nesses segmentos, diz Rabi. 

“Se a inadimplência se mantiver nesse patamar no segundo semestre, será uma boa notícia. Agora, torcemos por uma estabilização”.

 

Via… O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, pretende criar uma “fast track” (caminho mais rápido) para acelerar exportações e gerar renda e empregos na cidade.

….expressa Cerca de 30 lideranças de entidades de vários setores se reuniram na sexta-feira (8) com Covas e o presidente da SP Negócios, Juan Quirós.

Lição de casa Em 30 dias, em reunião já agendada com a prefeitura, empresários deverão apresentar medidas para acelerar as vendas ao exterior.

Verde A Eletropaulo investiu R$ 9,6 milhões  em 28 veículos trituradores para reciclar os resíduos de podas de árvores, como galhos e folhas.

Merenda A Snack Saudável, de lanches infantis, vai abrir sua primeira franquia em São Paulo. Com 42 pontos no país, o plano é abrir mais nove unidades até o fim de 2018.

Caixa rápido A experiência do pagamento é a que mais conta na avaliação dos consumidores de compras presenciais, segundo 85% dos consumidores entrevistados pelo Centro de Inteligência Padrão.
 

 

com Felipe Gutierrez, Igor Utsumi, Ivan Martínez-Vargas e Diana Lott

Índia Rejeita Comprar Petróleo com Criptomoeda da Venezuela


O país não demonstrou interesse na Petro (1966) A Venezuela continua a ter problemas para emplacar sua criptomoeda uma Petro, em negociação internacional. A rejeição mais recente da Índia, que se nega a realizar pagamentos em petróleo venezuelano.

A rejeição alcançada após governo de Maduro oferece um desconto de 30% nas operações com uma criptomoeda, como o caso Notícia Bitcoin .

A oferta venezuelana foi feita mesmo com governo indiano que tem rechaçado o uso de moedas digitais e procura desestimular o interesse por elas em

(Foto: Divulgação)

“Não é possível separar as chaves, já é proibido pelo Banco Central da Índia. The Islamic Studies, by Sushma Swaraj durante a conferência com venezuelanos e iranianos.

Tanto a Venezuela como a sua própria economia com os Estados Unidos, e ambos tentam driblar esse bloqueio. O regime Maduro na sua criptomoeda própria

como alternativa.

“Petro-problemas”

A tarefa de Caracas é mais complicada do que parece, no entanto. Desde o anúncio da criação do petro em dezembro de 2017, a Venezuela enfrenta rejeição e crítica em 1933.

O principal argumento é que o governo estava utilizando um

A Assembleia Nacional da Venezuela, dominada pela oposição, a considerar uma moeda virtual estatal “uma fraude” além de inconstitucional. <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> <br> Venezuela. Desde o ano, o governo Trump proíbe qualquer tipo de transação nos Estados Unidos com a mesma moeda.

Esse cenário é o mesmo que as trocas, que costumam ser ignoradas como publicações e políticas anti-criptomoedas dos governos. A base Bitfinex, por exemplo, é o tipo de resposta necessária para a sua plataforma, enquanto que as suas vendas podem ter um impacto sobre o consumo de alimentos.

19659003 Apesar das pressões internas e externas, Maduro segue firma no consolidar sua criptomoeda. A planeja obrigar que os negócios e os benefícios são pagamentos com petro, algo que acontece como as empresas e os Estados Unidos

no país.

Maduro já apareceu já levantado US $ 5 bilhões Na pré-venda do token. No entanto, outra evidência ainda foi capaz de ajudar essa informação.

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Gasolina custaria menos se Petrobras cobrasse valor pelo petróleo nacional – Notícias


Cerca de 80% do combustível consumido no Brasil é feito com petróleo nacional, enquanto só 20% são importados. Mas por que, então, os preços no país dispararam com a alta no mercado internacional, como se todo nosso petróleo fosse importado?

Se a Petrobras considerasse apenas os custos nacionais de produção, poderia vender gasolina e diesel por um preço bem abaixo do atual, segundo analistas. Ainda assim, a empresa conseguiria lucrar e não teria risco de quebrar.

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No entanto, reduzir os preços dos combustíveis para todos os brasileiros – e não apenas para os caminhoneiros – dependeria basicamente de uma decisão de Estado, com a Petrobras assumindo efetivamente o papel de companhia estatal, com gestão eficiente e transparente. Trata-se de uma mudança radical em relação ao modelo econômico neoliberal vigente na empresa hoje.

Petrobras usa o valor do petróleo internacional

O custo da produção nacional é estimado em US$ 30 a US$ 40 o barril, mas a empresa usa como referência o petróleo internacional, que está custando cerca de US$ 80 por barril. Com isso, busca ter o maior lucro possível e agradar aos investidores privados, visto que é uma companhia de capital aberto, e não 100% estatal.

A saída para a Petrobras vender combustível mais barato, dizem os analistas, também inclui um uso maior de suas refinarias, que hoje operam com dois terços de sua capacidade. Embora o país seja autossuficiente em petróleo, quase 20% dos combustíveis consumidos no país são importados.

Desta forma, as decisões da Petrobras seriam orientadas em nome do interesse coletivo, e não apenas baseadas em critérios econômico-financeiros. Mesmo atuando desta forma, a empresa conseguiria se sustentar no azul, se algumas regras fossem seguidas.

Veja a seguir as explicações dos especialistas que defendem um formato alternativo de gestão da estatal para minimizar os impactos da alta do petróleo sobre a população.

Petrobras atende a três grupos em conflito

Antes de iniciar a discussão sobre qual poderia ser o modelo de gestão da Petrobras, é preciso conhecer e compreender os interesses dos grupos que são diretamente afetados pelas decisões tomadas pela companhia.

– Acionistas

A Petrobras possui mais de 600 mil acionistas, entre pessoas físicas, grandes investidores estrangeiros e fundos de investimentos. Suas ações são negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e na Bolsa de Nova York (NYSE) sob a forma de ADRs (recibos de ações).

O governo federal é o controlador da companhia, detentor de 63,5% das ações ordinárias (ON, com direito a voto) e de 23,3% das ações preferenciais (PN, sem direito a voto).

“O acionista está interessado simplesmente no lucro. Ele quer que a empresa produza pelo menor custo possível para gerar o maior lucro possível”, afirma o professor Ildo Sauer, vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) e ex-diretor da Área de Gás e Energia da Petrobras.

– Consumidores de combustível

Donos de automóveis, motos, caminhões e as frotas públicas e privadas de ônibus e carretas são os principais consumidores de combustíveis da Petrobras e foram atingidos em cheio pela política de paridade internacional dos preços, adotada pela companhia em outubro de 2016.

A partir de julho de 2017, os ajustes nos preços da gasolina e do diesel passaram a ser diários, provocando impacto ainda maiores sobre os consumidores.

“A decisão da Petrobras de praticar a paridade internacional desencadeou uma série de efeitos sobre a economia brasileira, afetando diretamente os consumidores e também setores da indústria que utilizam os derivados de petróleo para produzir”, afirma Cloviomar Cararine, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e assessor técnico da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

– População em geral

Mesmo aquelas pessoas que não possuem automóvel são afetadas pela política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras. As oscilações nos preços dos combustíveis afetam a passagem de ônibus, o frete do transporte de mercadorias e, consequentemente, o preço final dos produtos e o poder de compra do trabalhador.

“No cerne desse conflito está a disputa sobre quais grupos ganham e quais perdem com a atual política de preços da Petrobras. Ao que tudo indica, a população acaba, literalmente, pagando a conta, já que os custos de produção acabam repassados ao preço final, com maior impacto sobre as camadas médias e mais pobres da sociedade”, diz Cararine.

Como conciliar interesses tão diferentes?

Os especialistas afirmam que a administração da Petrobras nunca conseguirá atender plenamente aos interesses dos grupos afetados pela companhia. “O acionista sempre vai querer maximizar o lucro e o consumidor sempre vai querer o menor preço de combustível. A saída é buscar uma conciliação civilizada, que beneficie a população em geral”, diz Ildo Sauer.

“O petróleo não pertence à Petrobras. Ele pertence à União e, portanto, ao povo. A prioridade no uso do petróleo e das riquezas geradas por ele deve ser dada aos mais fracos. Deve ser pensado um plano estrutural para a Petrobras com foco em justiça social”, afirma o professor do IEE/USP.

Cloviomar Cararine, autor da Nota Técnica do Dieese “A escalada do preço dos combustíveis e as recentes escolhas da política do setor de petróleo” também defende que atuação da Petrobras seja voltada ao interesse coletivo, em vez de favorecer “os investidores estrangeiros e especuladores, que ganham com a livre flutuação de preços”.

No documento, o técnico do Dieese e da FUP diz que é possível gerir empresas estatais de forma eficiente, sob a perspectiva do interesse público. “As empresas estatais diferem das privadas à medida que, pela natureza, deveriam tomar decisões orientadas pelo interesse coletivo e não apenas por critérios econômico-financeiros.”

Conforme o estudo, experiências em países desenvolvidos mostram a viabilidade de diferentes tipos de gestão no setor público, com controle social, que possibilitam reduzir problemas relacionados à corrupção e à apropriação indevida das estatais por interesses privados.

Petrobras não deve se guiar por preços internacionais

Cloviomar Cararine defende que a Petrobras deveria desistir da política de paridade internacional nos preços dos combustíveis. Ele afirma que o país se tornou mais vulnerável aos choques dos preços do petróleo no mercado externo e às oscilações do câmbio, uma vez que o barril é cotado em dólar.

Além disso, a paridade de preços estimulou a entrada de importadores de combustíveis no mercado nacional. O Brasil passou a comprar mais combustíveis no exterior em vez de produzir internamente.

As refinarias da Petrobras possuem capacidade de refinar 2,4 milhões de barris/dia, mas estão utilizando apenas 68% da capacidade.

“A paridade favorece os importadores. Na prática, você está deixando de usar as refinarias aqui para gerar empregos no exterior”, declarou o professor Ildo Sauer, do IEE/USP.

Preço deve ser baseado nos custos de extração e refino

“Se o Brasil tem grandes reservas e consegue, hoje, extrair maior quantidade de barris do que o total do consumo nacional, por que o petróleo tem que ser vendido a um preço tão mais alto do que o custo de produção?”, questiona o técnico do Dieese.

Segundo ele, a Petrobras deveria levar em consideração outros fatores para definir os preços dos combustíveis, como o volume de extração de petróleo no Brasil, a capacidade de refino no país e, especialmente, os custos dessas duas atividades.

Dessa forma, o preço do combustível ao consumidor seria determinado principalmente pelo custo de produção da Petrobras mais uma margem de lucro. Apenas uma pequena parte do preço teria sua composição baseada no valor internacional, correspondente à parcela de óleo importado.

Dados disponíveis no balanço anual da Petrobras mostram que o custo médio de extração de petróleo da empresa foi de US$ 20,48 (R$ 65,20) por barril em 2017. Esse valor já inclui a chamada participação governamental (royalties e participação especial) sobre a exploração de petróleo, mas não inclui outros impostos.

Já o preço médio de venda do óleo bruto às refinarias praticado pela estatal no ano passado foi de US$ 50,48 (R$ 161,03) por barril. E o custo médio de refino (transformação de petróleo em combustíveis e outros derivados) foi de US$ 2,90 (R$ 9,26) por barril.

Vale lembrar que o petróleo registrou forte valorização no início deste ano, alcançando a casa dos US$ 80 por barril. Em função da sua política de paridade, a Petrobras reajustou os preços da gasolina e do diesel em mais de 50% neste ano.

Petrobras poderia vender barril por US$ 40 em vez de US$ 80

Cararine, do Dieese, afirma que é difícil estimar qual seria o preço de equilíbrio que permitiria à Petrobras vender petróleo às refinarias e continuar lucrativa. “Trata-se de um campo nebuloso. É um segredo da companhia. Mas é um número importante para o governo, tendo em vista que o setor é estratégico para o país, com grande impacto sobre a economia.”

O professor Ildo Sauer, do IEE/USP, arriscou um palpite. Ele estimou um preço de equilíbrio entre US$ 30 e US$ 40 por barril. “Esse seria o valor que permitiria a companhia pagar seus custos de produção, os impostos e ainda obter uma margem de lucro satisfatória para os acionistas e para manter a empresa saudável.”

Embora o provável preço de equilíbrio (US$ 40) seja metade do valor do barril no mercado (US$ 80), os especialistas explicam que não é possível afirmar que os preços da gasolina e do diesel  cairiam pela metade para o consumidor final porque há outras variáveis que interferem na conta, como impostos e royalties. Mas certamente os preços seriam menores que os atuais.

Autossuficiência em petróleo precisa ser aproveitada

O Brasil produziu 2,6 milhões de barris de petróleo por dia no mês de abril, volume mais do que suficiente para atender o consumo doméstico de derivados, que foi de 2,2 milhões de barris por dia. No entanto, as refinarias brasileiras processaram apenas 1,6 milhão de barris por dia no período.

“Mesmo produzindo 400 mil barris de petróleo a mais do que o necessário para atender o consumo nacional, o país importou cerca de 600 mil barris de derivados por dia. Isso aconteceu porque a Petrobras aumentou a exportação de petróleo cru e, ao mesmo tempo, reduziu a utilização de suas refinarias. Além disso, parte da produção de derivados foi direcionada para o mercado externo”, afirma Cararine no estudo divulgado pelo Dieese.

Importação de petróleo e derivados deve ser mínima

O especialista do Dieese explicou que, para que o preço do combustível baixe para o consumidor, é importante que a importação de petróleo e derivados seja reduzida ao mínimo necessário.

Mesmo sendo autossuficiente, a Petrobras ainda necessita importar óleo leve para misturar ao óleo pesado produzido no país para obter melhores resultados no processo de refino.

A tendência é que as importações de óleo leve diminuam conforme a produção do pré-sal aumentar, uma vez que o óleo proveniente dessa área é de melhor qualidade.

“Se o preço interno for reduzido, mas a importação de óleo e derivados continuar elevada, vamos repetir erros do passado, quando a Petrobras tinha prejuízo porque comprava combustível a preço de mercado e revendia a um valor mais baixo aqui”, diz Cararine.

Lucro viria principalmente da exportação

A produção de petróleo no Brasil hoje, de 2,6 milhões de barris por dia é apenas ligeiramente maior que o consumo nacional de combustíveis e derivados, equivalente a 2,4 milhões de barris por dia.

Com o crescimento da exploração das reservas gigantes do pré-sal da Bacia de Santos, a produção nacional deverá alcançar 4 milhões de barris por dia até 2020.

“Mesmo que o país volte a crescer em ritmo acelerado nos próximos anos, a demanda nacional não deve superar 3 milhões de barris por dia. Ou seja, teremos um excedente de 1 milhão de barris por dia”, afirma Cararine.

Segundo o especialista, a Petrobras seguiria a lógica das grandes estatais de petróleo do Oriente Médio, que obtêm a maior parte do seu lucro com as exportações.

“Esse excedente do pré-sal poderá ser vendido pela Petrobras no exterior a preço de mercado, gerando lucro para a companhia. Internamente, o preço do combustível não precisará ser subsidiado pela empresa, nem pelo governo. Ele será baseado no custo de produção e refino, mais uma margem de lucro que garanta a saúde financeira da empresa e não onere demais o consumidor.”

Acionistas questionariam qualquer perda

Uma eventual mudança no modelo de gestão da Petrobras certamente não agradaria a todos os grupos que são afetados diretamente pela companhia. O principal questionamento partiria dos acionistas, que veriam a margem de lucro diminuir.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, defende que o petróleo é uma commodity, ou seja, uma matéria-prima básica com preço definido internacionalmente. Dessa forma, a Petrobras deve definir sua política de preços com base na cotação de mercado.

“A Petrobras é uma companhia de capital aberto, com ações listadas em Bolsa no Brasil e no exterior. Portanto, ela tem que seguir a lógica empresarial. Se o governo mandar a empresa vender combustível mais barato aqui, ela vai ter prejuízo. O certo seria ela exportar o petróleo, aproveitando o preço maior lá fora”, afirma Pires.

“Agora, se a Petrobras fosse 100% estatal, como a PDVSA (estatal de petróleo da Venezuela), o governo poderia fazer o que bem entendesse”, diz o diretor do CBIE.

Para ele, qualquer proposta do governo que cause mudanças na política de preços da Petrobras representaria a volta da interferência política na gestão da estatal, o que geraria reações negativas entre os acionistas.

“Não podemos esquecer que a Petrobras foi processada por investidores nos Estados Unidos por causa dos prejuízos provocados pela má gestão durante o governo de Dilma Rousseff e pela corrupção descoberta na Operação Lava-Jato”, diz Pires.

Corte de impostos sobre o diesel pune população

Os especialistas alertam que a decisão tomada pelo governo, de reduzir a carga de impostos sobre o diesel para conceder desconto aos caminhoneiros, provocará impactos sobre o restante da população.

“A população vai sair perdendo. O corte nos impostos sobre o diesel terá um impacto de R$ 13,5 bilhões na arrecadação deste ano. Para fechar a conta, o governo terá necessariamente que aumentar outros impostos ou reduzir o gasto em áreas como educação e saúde”, afirma o professor Jaci Leite, coordenador do curso de Negociação da FGV Educação Executiva.

“Uma eventual redução dos preços dos combustíveis via diminuição de impostos implica, necessariamente, renúncia fiscal. Se não houver uma mudança na política do setor de petróleo no Brasil que transforme, de forma mais estrutural, a dinâmica de preços, os cortes na Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico), no PIS/Cofins ou no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) resultarão em medidas paliativas. É um custo que novamente será pago pela população”, declarou Cararine no estudo divulgado pelo Dieese.

Petrobras diz que política de preços será mantida

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, declarou várias vezes ao longo da última semana que a política de preços da companhia será mantida.

Segundo ele, independentemente da periodicidade de reajustes que será adotada após a decisão do governo de reduzir o preço do diesel, a empresa continuará tendo liberdade de aplicar os aumentos em função das variações de preço do mercado de petróleo.