Pedro Parente deve assumir presidência executiva da BRF nesta quinta – 13/06/2018 – Mercado


O executivo Pedro Parente pode assumir nesta quinta-feira (14) a presidência executiva da BRF, gigante de alimentos formada pela fusão de Sadia e Perdigão.

Parente deixou recentemente o comando da Petrobras, por não concordar com a intervenção do governo nos preços praticados da empresa, após a greve dos caminhoneiros.

Nesta quinta (14), o conselho de administração da BRF tem uma reunião extraordinária para discutir a nova estrutura de comando da companhia e a escolha do diretor-presidente.

Parente, que já preside o colegiado, é o favorito para o cargo de principal executivo, mas sua indicação não é dada como 100% certa, segundo fontes próximas à empresa.

Ainda haverá uma discussão no conselho sobre a remuneração do executivo e sobre quem ocupará a função de chairman, já que Parente não pode ficar com os dois cargos.

Parente chegou ao conselho BRF no fim de abril no lugar de Abilio Diniz, com a função de colocar um fim na disputa entre o empresário e os fundo de pensão Petros (Petrobras) e Previ (Banco do Brasil), principais acionistas da companhia.

O nome de Parente agrada os investidores, porque o executivo é conhecido por ser um bom gestor de crise. Foi o responsável por conduzir o apagão de energia elétrica no governo FHC e, recentemente, por recuperar a Petrobras após o escândalo da Operação Lava Jato.

Sua missão na BRF, no entanto, não será fácil. A gigante de alimentos amarga prejuízos provocados pela má gestão dos antigos administradores, pelas investigações da Operação Carne Fraca e pela disputa entre os principais acionistas.

Cresce aposta de que Parente vá para a BRF; ações da empresa tiveram alta – Notícias


A saída de Pedro Parente da Petrobras aumentou as expectativas de que o executivo possa assumir o comando da BRF, maior exportadora global de frangos. Parente foi eleito presidente do Conselho de Administração no dia 26 de abril, no lugar do empresário Abilio Diniz. As ações da companhia fecharam ontem com a maior alta do Ibovespa, a R$ 23,39, elevação de 9,2%. Enquanto isso, o papel ON da Petrobras teve baixa de 14,92%, para R$ 18,88.

Fontes próximas à BRF afirmaram que a renúncia de Parente da estatal abre caminho para que ele assuma a presidência da gigante dos alimentos, hoje ocupada interinamente por Lorival Nogueira Luz, desde 23 de abril. Uma pessoa próxima à companhia já considera certa a ida de Parente para o comando do negócio, que registrou prejuízos por dois anos consecutivos.

Parente só participou de uma reunião de conselho – a de sua posse. Mas tem trabalhado nas últimas semanas para entender os números da BRF e tentar melhorar a eficiência operacional do negócio – fábricas da empresa foram embargadas para exportação em decorrência da Operação Carne Fraca. Nos últimos dias, unidades também foram paralisadas por causa da greve dos caminhoneiros. Ele tem falado todos os dias, por telefone, com Lorival, dizem fontes.

Na semana passada, Pedro Parente disse a interlocutores que não tinha sido sondado para ser presidente da companhia.

Remuneração

A BRF (união de Sadia e Perdigão) começou a passar por turbulências no início do ano passado, com a divulgação do primeiro prejuízo de sua história. Vários executivos saíram da empresa, e a gestão do empresário Abilio Diniz, presidente da Península, começou a ser questionada. Ainda sob gestão de Abilio, o conselho da BRF aprovou para este ano um pacote de remuneração para conselheiros e diretores de até R$ 92,4 milhões.

Em nota, a BRF diz que continua avaliando a estrutura organizacional da empresa antes de escolher o novo presidente. “A companhia reforça o que foi comunicado anteriormente sobre a escolha de um novo CEO novo. Qualquer nova informação será reportada ao mercado.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. / Colaborou Nayara Figueiredo

Divergências sobre política de preços levam Parente a deixar Petrobras – 02/06/2018 – Mercado


Pedro Parente, presidente da Petrobras, pediu demissão na manhã desta sexta (1º), em reunião com o presidente Michel Temer. Para substituí-lo o conselho de administração da estatal indicou como interino o nome de Ivan Monteiro, diretor financeiro.

Temer não apenas aceitou a sugestão como indicou Monteiro para ser sucessor permanente. Pelos trâmites, essa nova indicação deve passar pelo crivo do conselho em uma nova reunião, mas Monteiro já é considerado novo presidente da Petrobras.

Parente estava na estatal desde junho de 2016. Apesar de ter recuperado as finanças e a credibilidade da Petrobras após os escândalos de corrupção investigados na Operação Lava Jato, ele vinha sendo criticado.

No governo e no Congresso desagradava a sua insistência em manter a política de reajustes de preços dos combustíveis implantada durante sua gestão, em julho do do ano passado, e que levou a aumentos expressivo no valor do gás de cozinha, da gasolina e do diesel, que culminaram com a paralisação dos caminhoneiros.

Antes mesmo da mobilização nas estradas, Temer já vinha discutindo com Parente a flexibilização da política da estatal diante da alta elevada dos preços para a população. Mesmo assim, o governo diz que Parente se recusava a entender que era preciso dar uma folga. No governo, Parente já era chamado de “cabeça-dura”.

Na avaliação de investidores e analistas a saída de Parente foi interpretada como uma apoio à manifestação dos caminhoneiros e um retorno a velha política, baseada em populismo.

Pesquisa Datafolha identificou que 87% dos brasileiro s apoiam o movimento dos caminhoneiros. A conceituada revista inglesa The Economist aborda o tema em sua edição desta semana e diz que viu a reação da população “com perplexidade”.

 

Segundo a publicação, o que explica o sentimento favorável às manifestações é o fato de que os brasileiros ainda pagam impostos altos e não recebem serviços de qualidade em troca e, devido aos escândalos de corrupção, têm um sentimento de indignação generalizada contra a classe política.

Segundo a Folha apurou, o estopim para o pedido de demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras foi a percepção de que a política de preços da estatal já está sofrendo uma “intervenção branca” da administração de Michel Temer.

O executivo –que acabou concordando com a redução temporária do preço de óleo diesel para apaziguar os caminhoneiros em greve –percebeu que também teria de aceitar a política de subvenção do governo para gasolina e para o gás de cozinha.

Os efeitos sobre o caixa da Petrobras no médio e longo prazo tendem a ser nocivos. O cenário é que a estatal volte a operar no vermelho. Diante dessa perspectiva, Parente, que foi o responsável por recuperar a Petrobras após o escândalo da Lava Jato e a interferência política do governo Dilma sobre as operações da estatal, preferiu sair.

Segundo pessoas que acompanham o assunto de perto, a “intervenção branca” na política de preços da Petrobras seria feita por um artifício técnico na fórmula de cálculo da subvenção a ser paga pelo governo à estatal pela redução do preço do óleo diesel.

A subvenção será determinada pela diferença entre o preço de referência, definido com base na cotação internacional do petróleo, e o preço de comercialização, que será praticado nas refinarias. Se o preço de comercialização for inferior ao de referência, o governo vai subsidiar até o limite de R$ 0,30 por litro – acima disso autorizará o repasse.

O embate entre a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia girou em torno do preço de referência. A Petrobras pleiteou o direito de estabelecer ela mesma esse valor, enquanto a Fazenda defendeu que essa é uma atribuição da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A posição do ministério prevaleceu.

Sob condição de anonimato, pessoas próximas à estatal dizem que basta a ANP não repassar corretamente a variação do petróleo para que o governo – que controlaria na prática os preços de comercialização e de referência – determine o tamanho da subvenção conforme sua disponibilidade de caixa.

Além disso, o preço do petróleo no mercado internacional é apenas um dos itens que a Petrobras considera para definir seus preços. Também estão embutidos no seu cálculo variáveis como despesas administrativas, investimentos e margens de lucro. Na prática, a empresa perdeu autonomia na sua política de preços e sofreu um tabelamento indireto.

Auxiliares do presidente Michel Temer dizem que a intenção do governo é manter a atual diretoria e não alterar a política de preços da empresa, muito embora haja forte pressão para isso, inclusive na base aliada do governo.

O ministro Moreira Franco (Minas e Energia) diz que nem ele, nem a Fazenda, nem o presidente Michel Temer fizeram qualquer tipo de pressão sobre Pedro Parente para alterar a política de preços da Petrobras.

“Da mesma maneira que o governo não interfere na política de preços da Shell, da Esso, não vai interferir na política de preços da Petrobras. Posso garantir que sobre esse tema não nenhum tipo de pressão nem minha, nem do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, nem do presidente da República sobre o Pedro”, disse o ministro.

Moreira ressaltou que, o que vem propondo é a criação de alternativas para aliviar o impacto do preço para o consumidor. “O que eu venho propondo –publicamente– é que o governo tenha uma política para mitigar a volatilidade dos preços dos combustíveis”, explicou, repetindo tese dita em entrevista à Folha.


Raquel Landim
, Julio Wiziack
, Nicola Pamplona
, Talita Fernandes
, Daniela Lima
, Angela Boldrini
e Daniel Carvalho

Saída de Parente escancara fragilidade de política econômica do governo – 02/06/2018 – Mercado


Desde maio do ano passado, quando foram divulgados os áudios de conversas com Joesley Batista e a base aliada no Congresso se retraiu, a agenda econômica do governo Temer tem sofrido sucessivos reveses —dos quais a Petrobras tinha conseguido, até o momento, se esquivar.

“O governo sofreu um choque político terrível em maio de 2017 e não se recuperou”, diz o economista Samuel Pessôa, colunista da Folha. Desde então, bandeiras da gestão emedebista, como a reforma da Previdência e a privatização da Eletrobras, estão à margem por falta de apoio.

 

O pedido de demissão de Pedro Parente nesta sexta (1º) mostra que a estatal não estava tão blindada assim. Ruiu a política de preços impopular que, desde julho de 2017, permite que o custo dos combustíveis flutue de acordo com o mercado internacional.

“A saída [de Parente] é o ápice de um processo de deterioração da força política do governo”, diz a economista Ana Carla Abrão Costa. “A greve colocou o governo contra a parede e foram resgatadas práticas que o governo tinha vindo para mudar, como a interferência política na Petrobras, tabelamento de preços [como o do frete], ceder aos grupos de pressão.”

Durante a crise na última semana, o governo defendeu que a Agência Nacional de Petróleo (ANP), e não a Petrobras, determinaria o preço de referência do petróleo. O valor será a base para o cálculo da subvenção que será paga pelo governo à estatal pela redução do preço do diesel.

Na prática, isso significa que o subsídio cedido aos caminhoneiros pode prejudicar o caixa da Petrobras, o que não agradou Parente. “Com essas jogadas, o governo jogou fora o que foi feito nos últimos anos de gestão”, analisa Otto Nagami, professor de economia do Insper.

Na visão de Pessôa, a política de preços poderia ser suavizada para não impactar tanto o mercado interno, mas tem uma razão de ser. “Talvez não precise oscilar com a mesma frequência do mercado internacional, mas o preço no exterior tem que ser o grande balizador.”

Para o economista Alexandre Schwartsman, não faz sentido argumentar que, por ser monopolista, a empresa deva regular os preços com “sensibilidade social”, como disse Eunício Oliveira (MDB-CE), presidente do Senado, nesta sexta.

“A política de preços é justamente uma correção da distorção do fato de a Petrobras ser monopolista”, diz Alexandre Schwartsman. “Se ela segue o preço internacional, se comporta como um concorrente perfeito. Não precisa ter refinarias [de outras empresas] no país para corrigir o monopólio.”

ENFOQUE-Saída de Parente revive fantasma político na Petrobras e põe empresa sob pressão – Notícias


Por Marta Nogueira e Luciano Costa

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) – A renúncia de Pedro Parente à presidência da Petrobras nesta sexta-feira reavivou temores históricos do mercado sobre possíveis intervenções políticas danosas à companhia, trazendo incertezas sobre o futuro de uma das maiores empresas da América Latina.

O movimento ocorreu em meio a discussões e pressões sobre a política de preços da petroleira estatal, desencadeadas por uma grande paralisação de caminhoneiros contra a alta do diesel ter causado forte impacto na economia do país. [nL2N1T31D1]

Com este pano de fundo, o Conselho de Administração e a Presidência da República foram rápidos em concordar pela escolha do diretor-financeiro da empresa, Ivan Monteiro, como novo presidente-executivo da empresa.

Nome forte da gestão de Parente, Monteiro foi responsável por implementar as diretrizes financeiras do atual plano de negócios da companhia e deverá ajudar a acalmar o mercado, diante da nova crise enfrentada pela empresa, na avaliação de duas fontes da petroleira estatal, além de especialistas e executivos do mercado.

Ao nomear Monteiro como novo presidente-executivo da Petrobras, Temer afirmou que não haverá qualquer interferência do governo sobre a política de preços da estatal e que a escolha do executivo seria uma garantia de que o rumo da petroleira seguirá inalterado. [nL2N1T328D]

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) Adriano Pires, um forte defensor da gestão de Parente, amplamente aplaudida por investidores do mercado financeiro, mostrou cautela.

“Tenho medo que se reinicie, mesmo que de maneira tímida, uma captura política da empresa”, disse Pires.

A liberdade para administrar a petroleira estatal com olhar empresarial, sem interferências políticas, foi uma prerrogativa de Parente para aceitar o cargo, dois anos atrás. Sua política de preços era como um alicerce de sua autonomia.

“O bode expiatório de toda esta confusão foi a política que ele (Parente) implantou; as pressões eram enormes em cima dele. O governo… enfraquecido politicamente num ano eleitoral deve ter pedido coisas a ele que como profissional ele sem dúvida nenhuma se recusava fazer”, disse o ex-conselheiro da Petrobras Roberto Castello Branco.

Apesar de Petrobras e governo defenderem que não houve interferência do governo na política de preços da estatal, Castello Branco, assim como outros analistas de mercado veem de forma contrária.

“Teve uma interferência grande do governo”, disse o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Helder Queiroz.

INCERTEZAS GERADAS

Edmar Almeida, pesquisador do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), classificou a saída de Parente como “um desastre para a empresa”, ponderando apenas que a escolha de Monteiro “foi a mais adequada para reduzir o estrago”.

“(Monteiro) representa uma esperança de manutenção do processo de recuperação econômica da empresa”, afirmou.

Para uma das fontes da empresa, Parente teria sofrido ataques políticos e que não viu como permanecer na companhia. Teria renunciado como forma de permitir a manutenção de sua estratégia à frente da empresa.

Segundo essa fonte, chegou a haver pressão da Brasília sobre a política de preços da Petrobras, mas até o momento a estatal conseguiu garantir que o governo bancará o custo das medidas para redução dos preços, como a mudança na frequência dos reajustes para o óleo diesel.

Em sua carta de demissão, divulgada nesta sexta-feira, Parente disse que não houve interferência governamental em seu período no comando da petroleira.

No documento, no entanto, Parente apontou que não queria ser “um empecilho” para a discussão de alternativas políticas pelo governo.

O programa federal de subvenção ao diesel, cujas regras foram publicadas nesta semana em decorrência da greve dos caminhoneiros, estabelece que governo pagará a Petrobras “em espécie” pelos custos com as mudanças nos reajustes para o combustível. [nL2N1T30F8]

Após a demissão de Parente, o governo informou que iniciou uma discussão sobre como criar um “mecanismo de proteção ao consumidor final” de combustíveis, mas de maneira que não impacte a política de preços da Petrobras e de outras empresas. [nL2N1T321W]

Enquanto isso, o governo busca defender uma imagem de continuidade para a Petrobras, que já havia conseguido reconquistar a confiança do mercado, antes de ser atingida em cheio com a greve dos caminhoneiros pela a maior crise de abastecimento de combustíveis desde pelo menos abertura do mercado de petróleo do Brasil em 1997.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Alexandra Alper, no Rio de Janeiro)

Saída de Parente revive fantasma político na Petrobras e põe empresa sob pressão – Notícias


Por Marta Nogueira e Luciano Costa

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) – A renúncia de Pedro Parente à presidência da Petrobras nesta sexta-feira reavivou temores históricos do mercado sobre possíveis intervenções políticas danosas à companhia, trazendo incertezas sobre o futuro de uma das maiores empresas da América Latina.

O movimento ocorreu em meio a discussões e pressões sobre a política de preços da petroleira estatal, desencadeadas por uma grande paralisação de caminhoneiros contra a alta do diesel ter causado forte impacto na economia do país.

Com este pano de fundo, o Conselho de Administração e a Presidência da República foram rápidos em concordar pela escolha do diretor-financeiro da empresa, Ivan Monteiro, como novo presidente-executivo da empresa.

Nome forte da gestão de Parente, Monteiro foi responsável por implementar as diretrizes financeiras do atual plano de negócios da companhia e deverá ajudar a acalmar o mercado, diante da nova crise enfrentada pela empresa, na avaliação de duas fontes da petroleira estatal, além de especialistas e executivos do mercado.

Ao nomear Monteiro como novo presidente-executivo da Petrobras, Temer afirmou que não haverá qualquer interferência do governo sobre a política de preços da estatal e que a escolha do executivo seria uma garantia de que o rumo da petroleira seguirá inalterado.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) Adriano Pires, um forte defensor da gestão de Parente, amplamente aplaudida por investidores do mercado financeiro, mostrou cautela.

“Tenho medo que se reinicie, mesmo que de maneira tímida, uma captura política da empresa”, disse Pires.

A liberdade para administrar a petroleira estatal com olhar empresarial, sem interferências políticas, foi uma prerrogativa de Parente para aceitar o cargo, dois anos atrás. Sua política de preços era como um alicerce de sua autonomia.

“O bode expiatório de toda esta confusão foi a política que ele (Parente) implantou; as pressões eram enormes em cima dele. O governo… enfraquecido politicamente num ano eleitoral deve ter pedido coisas a ele que como profissional ele sem dúvida nenhuma se recusava fazer”, disse o ex-conselheiro da Petrobras Roberto Castello Branco.

Apesar de Petrobras e governo defenderem que não houve interferência do governo na política de preços da estatal, Castello Branco, assim como outros analistas de mercado veem de forma contrária.

“Teve uma interferência grande do governo”, disse o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Helder Queiroz.

INCERTEZAS GERADAS

Edmar Almeida, pesquisador do Grupo de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), classificou a saída de Parente como “um desastre para a empresa”, ponderando apenas que a escolha de Monteiro “foi a mais adequada para reduzir o estrago”.

“(Monteiro) representa uma esperança de manutenção do processo de recuperação econômica da empresa”, afirmou.

Para uma das fontes da empresa, Parente teria sofrido ataques políticos e que não viu como permanecer na companhia. Teria renunciado como forma de permitir a manutenção de sua estratégia à frente da empresa.

Segundo essa fonte, chegou a haver pressão da Brasília sobre a política de preços da Petrobras, mas até o momento a estatal conseguiu garantir que o governo bancará o custo das medidas para redução dos preços, como a mudança na frequência dos reajustes para o óleo diesel.

Em sua carta de demissão, divulgada nesta sexta-feira, Parente disse que não houve interferência governamental em seu período no comando da petroleira.

No documento, no entanto, Parente apontou que não queria ser “um empecilho” para a discussão de alternativas políticas pelo governo.

O programa federal de subvenção ao diesel, cujas regras foram publicadas nesta semana em decorrência da greve dos caminhoneiros, estabelece que governo pagará a Petrobras “em espécie” pelos custos com as mudanças nos reajustes para o combustível.

Após a demissão de Parente, o governo informou que iniciou uma discussão sobre como criar um “mecanismo de proteção ao consumidor final” de combustíveis, mas de maneira que não impacte a política de preços da Petrobras e de outras empresas.

Enquanto isso, o governo busca defender uma imagem de continuidade para a Petrobras, que já havia conseguido reconquistar a confiança do mercado, antes de ser atingida em cheio com a greve dos caminhoneiros pela a maior crise de abastecimento de combustíveis desde pelo menos abertura do mercado de petróleo do Brasil em 1997.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Alexandra Alper, no Rio de Janeiro)

Temer indica Ivan Monteiro para substituir Parente na Petrobras; especialistas elogiam escolha – Notícias


Por Lisandra Paraguassu e Marta Nogueira

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) – O presidente Michel Temer indicou nesta sexta-feira o engenheiro Ivan Monteiro como novo presidente-executivo da Petrobras, em substituição a Pedro Parente, que pediu demissão do cargo nesta manhã, em meio a ataques à política de preços da estatal.

Em breve pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer afirmou que a escolha do executivo, que já atuava como diretor financeiro e de relações com investidores na companhia, é uma garantia de que o rumo da estatal será mantido.

Essa visão também foi apontada por alguns especialistas ouvidos pela Reuters, que veem Monteiro como bem qualificado para a função, enquanto fontes na Petrobras dizem que ele era o nome preferido da própria cúpula da estatal para o cargo.

Na Petrobras desde 2015, quando foi nomeado diretor financeiro pela então presidente Dilma Rousseff, Monteiro já havia sido definido pelo Conselho de Administração da estatal como presidente interino mais cedo nesta sexta-feira.

“Continuaremos com a política econômica que nestes dois anos retirou a empresa do prejuízo e a trouxe novamente para o roll das mais respeitadas do Brasil e do exterior. Declaro também que não haverá qualquer interferência na politica de preços da companhia”, afirmou o presidente Temer ao oficializar a escolha.

A rápida nomeação de Monteiro e a fala de Temer buscaram aliviar preocupações de investidores com o futuro da Petrobras, após a saída repentina de Parente levar as ações da companhia a fechar o dia com queda de quase 15 por cento– uma perda de cerca de 45 bilhões de reais em valor de mercado.

“É um nome para acalmar os ânimos… foi da equipe de Parente, mas colocado antes pela Dilma. Se vai conseguir, veremos”, apontou o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo Helder Queiroz.

“Acho a escolha excelente”, disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

O professor do Instituto de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida, foi na mesma linha. “É a solução mais adequada para reduzir o estrago. Ele representa uma esperança de manutenção do processo de recuperação econômica da empresa.”

Dois executivos de grandes empresas de petróleo também elogiaram a indicação de Monteiro. Eles falaram sob a condição de anonimato porque não têm autorização para abordar o assunto com a imprensa.

(Reportagem adicional de Alexandra Alper, no Rio de Janeiro)

Em grupo de Whatsapp, aliado diz que saída de Parente deixa saldo integral da crise no colo do governo – 01/06/2018 – Mercado


Diante da saída de Pedro Parente do comando da Petrobras, aliados do presidente Michel Temer fizeram um mea culpa, reconhecendo que o governo errou na política de preços adotada no ano passado, e disseram que o episódio desta sexta-feira (1º) faz o saldo da crise dos combustíveis recair integralmente sobre o Palácio do Planalto.

Correligionários de Temer, que já vinham pedindo a cabeça de Parente desde o dia 21 de maio, quando começou a paralisação de 11 dias dos caminhoneiros em todo o país, reclamaram por, nas palavras de um deles, ter feito papel de trouxa e se desgastado à toa, já que, com a saída do presidente da Petrobras, vai crescer a pressão por uma mudança na política de preços dos combustíveis.

“Eu avisei antes a todos da bancada. Agora, ele sai por cima e será presidente da BRF, deixando no colo do governo o saldo integral da crise”, disse o deputado Newton Cardoso Junior (MDB-MG) no grupo de WhatsApp da bancada do partido de Temer.

Procurado, Cardoso Junior não se manifestou.

Um auxiliar do presidente disse que o governo errou ao não ter percebido antes que a política de preços da Petrobras era insustentável. Reclamou que Pedro Parente pensava a Petrobras como dirigente de uma empresa privada, deixando de lado o aspecto público da companhia de petróleo brasileira.

A defesa da mudança na política de preços não é um consenso no Congresso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse à Folha não defender alteração, mas insistiu na tese de que é preciso uma compensação para a oscilação do preço do petróleo.

“O governo deveria ter uma política de redução de impostos quando o preço do petróleo sobe”, afirmou Maia.

Bolsa retoma negócios com Petrobras e ações caem 14% após saída de Parente – Economia


As ações da Petrobras PETR4, PETR3 voltaram a ser negociação na Bolsa de Valores de São Paulo, após ter sido suspensa por cerca de 45 minutos. Ao reiniciar os negócios, as ações caiam 14%.

A Bolsa havia suspendido os negócios após a estatal anunciar que Pedro Parente pediu demissão do cargo de presidente-executivo na manhã desta sexta-feira.

Antes da suspensão dos negócios, as ações chegaram a subir 4,05%.

Em comunicado, a Petrobras informou que a nomeação de um CEO interino será examinada pelo Conselho de Administração da companhia ao longo do dia e que a composição dos demais membros da diretoria não sofrerá alterações.

A trajetória de Pedro Parente, de ‘presidenciável’ a bode expiatório da greve dos caminhoneiros – Notícias


Em meio a melhora nos indicadores financeiros da Petrobras – que voltou a registrar lucro no primeiro trimestre de 2018, depois de quatro anos de prejuízos -, presidente da estatal vive pior momento desde que assumiu, há dois anos.

“Acabou a influência política na Petrobras”, disse Pedro Parente, há exatamente dois anos, no dia 1º de junho de 2016, durante sua cerimônia de posse como presidente da estatal.
Naquele dia, ele não chegou a falar se haveria mudança na composição dos preços de combustíveis, mas afirmou que aquela passaria a ser uma “decisão empresarial”.

Aos 63 anos, o carioca substituía Aldemir Bendine – que havia renunciado ao cargo e que seria preso um ano depois, no âmbito da operação Lava Jato – e se deparava com uma das maiores crises pelas quais a companhia havia passado desde sua fundação, em 1953.

“Era um buraco negro”, ilustra Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP).

“Receitas de exportação em queda, com o colapso do preço do óleo bruto, receitas domésticas reprimidas, com políticas de preços domésticos populistas, elevada taxa de endividamento, com dívidas fora do controle em relação ao comportamento das receitas, perda de credibilidade nos mercados de capitais de longo prazo, prejuízos crescentes”, lembra o especialista.

A Petrobras teve prejuízos em 2014 (R$ 21,9 bilhões), 2015 (R$ 34,8 bilhões), 2016 (R$ 14,8 bilhões) e 2017 (R$ 446 milhões). No primeiro trimestre de 2018, pela primeira vez desde o início da operação Lava Jato, ela apresentou lucro, de R$ 6,9 bilhões, e distribuiu dividendos depois de quatro anos sem remunerar seus acionistas.

Este é, contudo, o pior momento de Parente na estatal desde que assumiu o cargo. Diante da crise aberta pelas paralisações de caminhoneiros, a política de preços adotada há dois anos pela companhia, que busca a paridade com preços internacionais, passou a ser questionada e criticada.

Membros do governo, como o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, defenderam nos últimos dias uma revisão do sistema de preços e senadores – inclusive do PSDB, partido com o qual Parente sempre teve boa relação – chegaram a cobrar no plenário que ele fosse demitido.

“Se o Pedro Parente não aceitar rever a política de reajuste, que ele saia da Petrobras, ou o presidente da República exerça o mínimo de autoridade. Um governo minimamente sólido já o teria demitido”, disse Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) em entrevista na semana passada.

Apenas meses antes, o cenário era oposto: diante da melhora dos indicadores financeiros da Petrobras, Parente chegou a ser aventado como possível candidato à Presidência, um nome que uniria a centro-direita nas eleições de outubro.

Sarney, Collor e “ministro do apagão” de FHC

Engenheiro, Parente foi funcionário da área contábil do Banco Central e, no governo Sarney, foi convidado por Andrea Calabi, então secretário do Ministério do Planejamento, para ir à recém-criada Secretaria do Tesouro Nacional.

“O Pedro foi cuidar do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira), que unificou 3,5 mil contas e foi importante dentro do esforço que a gente fazia para modernizar a administração as finanças públicas”, ele diz.

Em 1991, já no governo Collor, o técnico assumiu a secretaria de Planejamento do então Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, onde assumiu a elaboração e execução do orçamento da União.

Depois do processo de impeachment e posterior renúncia de Collor, Parente foi para o exterior e ficou no Fundo Monetário Internacional (FMI) até 1993.

Ele estreou no governo Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda, como secretário-executivo da pasta, chefiada então por Pedro Malan.

Clóvis Carvalho, um dos fundadores do PSDB e ex-ministro da Casa Civil de FHC, lembra que os tucanos queriam trazê-lo para o governo desde a gestão de Itamar Franco, mas Itamar resistia em incorporar à sua equipe antigos quadros do governo Collor.

Como secretário-executivo da Fazenda, ele assumiu a renegociação da dívida dos Estados – que, naquela época, ficaram proibidas de emitir título de dívida – e trabalhou na implantação do Plano Real.

“Ele tinha a vantagem de ser engenheiro”, brinca Carvalho, “o que era útil no meio de todos aqueles economistas. Vira e mexe a discussão ía muito para o campo teórico e, às vezes, a gente tinha dois dias para tomar uma decisão. A formação voltada para encontrar soluções ajudava”, ele acrescenta.

De saída da Casa Civil, Carvalho sugeriu a FHC que Parente o sucedesse na pasta. Além de se dar bem com Malan – e a relação entre Fazenda e Casa Civil é geralmente difícil, já que a função de um é “pedir” e a de outro, “fechar as torneiras” -, ele também se dava bem com o Congresso, especialmente com Antônio Carlos Magalhães.

“Naquela época o ACM era presidente do Senado e estava começando a colocar as manguinhas de fora (criticando o governo). O Parente se dava bem com o pessoal do PFL (atual DEM)”, diz Carvalho.

Também era o PFL que controlava naquela época o Ministério de Minas e Energia, e o trânsito de Parente no partido foi fundamental para que ele conseguisse colocar em práticas as medidas para controlar a crise energética em 2001.

“Ele tem como principais características o fato de ser um homem político com olhar suficientemente de mercado e um administrador empresarial com forte sensibilidade política. Foi com esse binômio que conduziu o país para fora da crise elétrica. Soube propor importantes instrumentos de mercado para aquela situação, mas o caminho percorrido foi eminentemente político”, avalia Moutinho, da USP.

A solução passou por um rigoroso e amplo racionamento, pelo investimento em linhas de transmissão de energia – para ligar os reservatórios a áreas mais distantes -, por projetos de novas hidrelétricas na região da Amazônia e pela construção de usinas termelétricas, que produzem energia menos limpa e mais cara, mas que podem ser acionadas em períodos de escassez nos reservatórios.

Petrobras, interferências de governos e a política de preços

Passados quase 15 anos – durante os quais foi vice-presidente executivo do grupo RBS (2003 a 2009) e CEO da Bunge (2010 a 2015), empresa do setor de agronegócio -, Parente foi chamado novamente para debelar uma crise, desta vez na Petrobras.

Uma das marcas de sua gestão e a principal manifestação prática do “acabou a influência política na Petrobras” que marcou seu discurso de posse foi a mudança na política de preços.

O valor do combustível que saía das refinarias da empresa passou a acompanhar o mercado externo – ou seja, a se pautar pela variação do câmbio e da cotação do barril de petróleo.
Entre 2011 e 2015, essas oscilações eram repassadas de forma defasada, um mecanismo usado pelo governo para tentar segurar o aumento da inflação.

Quando a conjuntura internacional era desfavorável, a Petrobras chegou a importar combustível mais caro e a vendê-lo mais barato no mercado interno.

“O cenário se modificou com a introdução de um viés muito mais populista pela presidente Dilma”, diz o professor Edmilson Moutinho, da USP.

“Quebrou-se a tradição anterior e se voltou a adotar políticas de intervenção de preços, como nos anos 1980, para controlar inflação, incentivando importações. Aliás, importações que geravam perdas crescentes para a Petrobras”, ele afirma, referindo-se aos deficits consecutivos de caixa que contribuíram para aumentar o endividamento da estatal no período, chegando a US$ 100,4 bilhões em 2015.

A busca pela paridade internacional foi colocada desde a aprovação da Lei do Petróleo em 1997 – jamais se estabeleceu, entretanto, como ela deveria ser cumprida.

Durante as gestões dos presidentes FHC e Lula, diz o especialista, se consolidou a tradição de buscar a paridade no longo prazo. Com isso, a Petrobras ficou com a incumbência de fazer políticas amortecedoras de preço, reduzindo eventuais grandes oscilações para cima ou para baixo dos preços.

“Nada disso foi politicamente pacífico. A Petrobras era ferrenhamente contra o governo nos momentos que lhe eram desfavoráveis. Por outro lado, grandes consumidores, concentrados na Abrace, Fiesp ou Firjan, não saiam das páginas dos jornais em momentos que a empresa não baixava os preços domésticos na mesma velocidade dos preços internacionais.”

Virada nos indicadores

Entre 2015 e 2017, a dívida líquida da Petrobras recuou de US$ 100,4 bilhões para US$ 84,9 bilhões.

A empresa voltou a cumprir as metas de produção e, no ano passado, bateu recorde pelo quarto ano consecutivo, com 2,15 milhões de barris por dia.

Em 2017, as agências de classificação de risco Moody’s e Standard&Poor’s elevaram a nota da Petrobras, destacando a gestão da dívida – considerada um dos maiores desafios -, a melhora da governança e a chamada “política de desinvestimentos”.

Uma das saídas de Parente para reduzir endividamento e recuperar o caixa foi vender parte dos ativos da empresa e reduzir o número de funcionários.

No ano passado, a empresa vendeu a distribuidora Petrobras Chile Distribución, se desfez de sua participação na Guarani, que atua no mercado de açúcar e etanol, e de 90% de suas ações no gasoduto Nova Transportadora do Sudeste (NTS).

Em 2017 e 2018, a empresa tem a meta de alcançar US$ 21 bilhões com as vendas de ativos.

O número de funcionários diretos recuou de 78,4 mil em 2015 para 62,7 mil no fim de 2017, entre cortes e programa de demissão voluntária (PDV). Os terceirizados, por sua vez, passaram de 132 mil a 100 mil.

A reestruturação é fortemente criticada pela entidade que representa os trabalhadores, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que está em greve desde quarta-feira.

A FUP critica a falta de mecanismos na política de preços que protejam o consumidor brasileiro e afirma que a estatal vem sendo administrada para atender exclusivamente aos interesses do mercado.

“O alinhamento internacional dos preços de derivados faz parte do desmonte da Petrobras. O objetivo é privatizar as refinarias, os dutos e terminais, assim como já ocorreu com os campos do pré-sal (referência ao projeto de desobriga a empresa de ser operadora única dos campos), gasodutos, subsidiárias, entre dezenas de outros ativos estratégicos da estatal”, diz a entidade em carta aberta divulgada no último dia 25.

Choque externo e ‘erro de avaliação’

Até o início deste ano, o cenário internacional vinha ajudando Pedro Parente.

Há alguns meses, contudo, a trajetória dos dois preços que determinam o valor do combustível ficou cada vez mais desfavorável para os consumidores brasileiros.

O petróleo, depois de dois anos em mínimas recordes, vem ficando mais caro desde junho de 2017. De US$ 30 no início de 2016, o barril atingiu US$ 80 neste ano.

O dólar, por sua vez, tem ficado mais caro diante do aumento dos juros nos Estados Unidos – à medida que ele eleva a rentabilidade dos ativos americanos, considerados mais seguros, estimula a saída de dólares de mercados como o Brasil.

A combinação dos dois fatores e da possibilidade de reajuste diário dos preços, vigente há um ano, fez com que os preços explodissem. Na semana que antecedeu a paralisação dos caminhoneiros, a gasolina e o diesel sofreram altas por cinco dias consecutivos.

A adoção de reajustes diários, para Moutinho, da USP, tinha “um quê de simbolismo”. “Tratava-se de passar uma mensagem ao mercado de capitais de longo prazo de que o governo renunciava à manipulação da estatal como instrumento de política pública com caráter mais populista”, ele afirma.

O especialista faz uma crítica, entretanto, à forma como Parente se colocou diante do problema da escalada de preços.

“Talvez aqui tenha sido o descuido e, de certa forma, a perda de sensibilidade do governo e da Petrobras, e também de Parente, em relação ao tamanho do choque que se produziu no mercado internacional do petróleo”.

O choque externo, ele pondera, encontrou um país e uma economia em condições muito desfavoráveis para absorver seus impactos negativos.

“O tamanho da crise surpreendeu a todos. No entanto, os sinais que foram emitidos teriam permitido uma rápida gestão de crise e a introdução de medidas de flexibilização que talvez tivessem permitido evitar o atual caos.”

Calabi, que destaca em Parente o “esforço de racionalização de recursos, quer públicos ou privados”, concorda que o engenheiro “talvez tenha ficado muito restrito à regra que propôs”.

O ex-secretário de Fazenda do Estado de São Paulo é favorável à paridade com os preços internacionais, mas defende os esforços para amenizar a volatilidade de preços, com reajustes mais periódicos.

Para ele, essa é uma questão que vai além do fato de a Petrobras ser estatal, que se colocaria ainda que ela fosse privatizada – proposta, aliás, com a qual não concorda.
“Toda empresa, mesmo privada, tem suas responsabilidades sociais e políticas.”

Para Moutinho, entretanto, o erro de avaliação não justifica os pedidos de demissão que vêm sendo feitos por parlamentares. Para ele, Parente “é a melhor pessoa para buscar caminhos de saída da atual crise de curto prazo sem sacrificar completamente ou essencialmente as estratégias de médio e longo prazo que estavam previstas”.

“Ele continua sendo o melhor gestor de crises que o país dispõe”, afirma.