Dólar firma queda ante real após nova atuação do BC – Notícias


Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar firmou trajetória de baixa e operava perto do patamar de 3,75 reais após o Banco Central intensificar sua atuação no mercado de câmbio nesta quinta-feira.

Até esta tarde, a moeda norte-americana era negociada com leves variações, em meio a preocupações com o exterior e com o mercado de olho na cena política local.

Às 16:28, o dólar recuava 0,39 por cento, a 3,7678 reais na venda, depois de subir 1 por cento na véspera. Na máxima deste pregão, a moeda norte-americana foi a 3,8046 reais e, na mínima, a 3,7534 reais.

O dólar futuro tinha baixa de cerca de 0,15 por cento.

“O BC não está deixando a moeda ir além dos 3,80 reais”, afirmou o gerente da mesa de câmbio do banco Ourinvest, Bruno Foresti.

Pela manhã, quando o dólar chegou ao patamar de 3,80 reais, a autoridade monetária ofertou e vendeu integralmente 20 mil novos swaps cambiais, equivalentes à venda futura de dólares, o que reduziu o movimento de alta da moeda norte-americana naquele momento.

Durante a tarde, no entanto, o dólar voltou a subir e o BC fez o segundo leilão, com as mesmas condições e resultados do primeiro. Com isso, já injetou o equivalente a 4 bilhões de dólares em swaps, do total de 10 bilhões de dólares prometido para esta semana.

O BC também realizou leilão de até 8.800 swaps para rolagem do vencimento de julho, vendidos integralmente. Assim, já rolou 6,6 bilhões de dólares do total de 8,762 bilhões de dólares que vence no mês que vem. Se mantiver e vender esse volume até o final do mês, fará rolagem integral.

Entre os dias 8 e 15 passados, o BC já havia feito leilões de novos swaps, equivalentes a 24,5 bilhões de dólares, para tentar acalmar os mercados diante de preocupações com a cena externa e política local, a poucos meses das eleições de outubro.

“Acho que ele deveria deixar o câmbio flutuar um pouco. Espero que anuncie apenas que vai atuar no mercado cambial quando necessário”, acrescentou Foresti, para quem o efeito surpresa poderia ter mais efeito sobre o mercado.

A opinião é compartilhada por outros especialistas, que avaliam que o mercado esteve mais racional nesta semana e o BC apenas deveria reforçar que seguirá monitorando as condições, sem anunciar previamente o volume das intervenções que pretende fazer.

Durante a sessão, além do exterior, o mercado também monitorava o cenário político doméstico, diante da dificuldade de candidatos que considerem mais comprometidos com o ajuste fiscal de subirem nas pesquisas de intenção de voto.

Outra preocupação era o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode colocar em liberdade o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para o dia 26. Nessa situação, ele seria um forte cabo eleitoral, podendo favorecer a disputa de candidatos que menos agradam aos investidores.

No mercado externo, o dólar operava em queda ante uma cesta de moedas e também ante divisas de países emergentes

Presidente cubano quer correr riscos para agilizar investimentos estrangeiros – Notícias


Havana, 21 jun (EFE).- O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, pediu a seu governo que “corra riscos” e insistiu em “dar um impulso maior aos investimentos estrangeiros” para garantir o desenvolvimento econômico do país, cujas finanças atravessam um momento complicado.

“É preciso ser criativo e correr riscos, sem afetar a nossa soberania”, indicou o presidente durante uma reunião do Conselho de Ministros realizada no início desta semana, a terceira que ele lidera desde sua chegada ao poder em abril, segundo publicaram nesta quinta-feira os veículos de imprensa estatais da ilha.

O principal órgão executivo e administrativo de Cuba decidiu que supervisionará a cada mês, caso por caso, “as exportações e os negócios com investimentos estrangeiros, assim como a gestão e execução dos créditos vindos do exterior”, diz o relatório oficial da reunião.

Assim, o governo cubano quer enfrentar os impedimentos burocráticos e legais que dificultam ou impedem os investimentos estrangeiros e que desincentivam os potenciais investidores, segundo reconheceram reiteradamente as autoridades da ilha.

Para o seu desenvolvimento econômico, Cuba necessita atrair anualmente cerca de US$ 2,5 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, principalmente em 15 setores-chave como o industrial, o agroalimentar, o turismo, a mineração, a biotecnologia, o petróleo e as energias renováveis, segundo estimativas oficiais.

Os ministros também avaliaram em sua reunião os resultados econômicos do primeiro trimestre, assim como a situação atual do orçamento, as exportações e os créditos externos.

Embora estime um desempenho “aceitável” da economia cubana, o Conselho advertiu sobre os lastros para seu rendimento, desde o embargo dos EUA até “fatores de caráter subjetivo e organizacional que limitam as exportações, o uso dos créditos e a atração de investimentos estrangeiros”.

A Política para o Investimento Estrangeiro, aprovada em 2014, impôs um novo marco regulador que permitiu aumentar os investimentos com capital vindo de fora do país.

No entanto, o Conselho de Ministros alertou em sua reunião desta semana de que os investimentos estrangeiros ainda têm “um peso muito baixo” em relação ao total de investimentos (estatais) de Cuba.

A carteira de negócios cubanos para capital estrangeiro inclui – em sua quarta versão atualizada – 456 projetos por um montante superior a US$ 10,7 bilhões.

Muitos desses projetos são oferecidos dentro da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel (ZEDM), o programa mais ambicioso do país caribenho para atrair capital estrangeiro e que oferece condições fiscais e trabalhistas vantajosas para empresas do exterior.

Com este centro empresarial e porto mercante situado 45 quilômetros ao leste de Havana, Cuba assegurou mais de US$ 1,191 bilhão desde a sua apresentação oficial em 2013.

Quanto aos investimentos em nível nacional, Díaz-Canel enfatizou a necessidade de priorizar os que têm “impacto produtivo”, como os relacionados com o turismo e a indústria alimentícia e para melhorar a produção agrícola.

O Conselho de Ministros também avaliou, sem oferecer números concretos, que no primeiro trimestre do ano foram registrados “aumentos moderados no setor de construção e comércio” e “realizações favoráveis nas principais produções agrícolas”, bem como avanços no setor turístico, ao ultrapassar o número de 2 milhões de visitantes.

Brasil seguirá dependente de caminhões por pelo menos 20 anos, diz FDC – Notícias


A matriz brasileira de transporte não deverá passar por significativa alteração nos próximos 20 anos mesmo que o governo federal consiga implementar todos os projetos já em andamento – como duplicações de rodovias e subconcessão de ferrovias como a Norte-Sul – e mantenha o estoque atual em infraestrutura. A constatação é da Fundação Dom Cabral (FDC), que lança nesta quinta-feira, 21, a Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes (PILT), construída com base em dados públicos, de órgãos governamentais e de empresas parceiras, como Arteris, Grupo CCR e EcoRodovias.

O diagnóstico da FDC mostra ainda que, com o portfólio atual de projetos federais e se nada mais for proposto, o Brasil continuará dependente das rodovias e com um custo extremamente alto nesse modal até 2035. A instituição estima que o custo total do País com transporte tenha atingido R$ 166 bilhões em 2015 (ano usado como base para os cenários), com 70% desse montante consumido nas rodovias. Em 2035, esse custo subirá para R$ 233,3 bilhões, ao passo que a participação das rodovias nos custos se manterá praticamente igual, em 68%.

Caso os principais projetos federais nos setores de rodovias, portos, hidrovias e ferrovias saiam do papel até 2025 e nada mais seja feito até 2035, o custo logístico dos embarcadores de carga subirá quase R$ 130 bilhões. “E esse custo vai para algum lugar. Ou cai a margem das empresas, ou é repassado ao consumidor final”, afirma Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística, Infraestrutura e Supply Chain da FDC.

Como a crise recente com a greve dos caminhoneiros expôs, o Brasil precisa investimentos de longo prazo em ferrovias e hidrovias, as mais apropriadas para transportar determinados tipos de cargas por longas distâncias, defende a FDC.

Pelas contas da fundação, se 10% da carga transportada em rodovias (medidas em toneladas por quilômetro útil, TKU) for transferida para as ferrovias, haveria uma economia de custo de 2,4%, equivalente a R$ 4,85 bilhões em 2025 e R$ 5,6 bilhões em 2035. Se as hidrovias assumirem aquele papel, a economia de custo é maior ainda, de 4,5%, correspondendo a R$ 8,92 bilhões em 2025 e R$ 10,3 bilhões em 2035.

Porém, a FDC frisa que, no curto prazo, o planejamento público para o setor não pode deixar de lado as rodovias. “A concentração de fluxos de cargas não permite, de forma nenhuma, que o Brasil tome a decisão brusca de, de repente, partir para a ferrovia e a hidrovia e esquecer das rodovias para transporte de longa distância”, pontua Resende.

O especialista defende que o poder público tenha uma visão “estratégica, e não passional” sobre o modal rodoviário. “Ao planejarmos o curto prazo, não podemos romper o sistema rodoviário. Se rompermos, imediatamente teremos graves problemas, como vimos recentemente”, acrescenta.

Tabelar frete é ir contra ‘regra pétrea’ da economia, diz Fundação Dom Cabral – Notícias


Tabelar o frete rodoviário, como está sendo proposto pelo governo federal, é uma medida que vai contra a regra “pétrea” de oferta e demanda que rege a economia, avalia Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística, Infraestrutura e Supply Chain da Fundação Dom Cabral (FDC). “Acho que qualquer poder que quiser mediar uma discussão de tabela de frete corre o risco de mediar uma coisa que não dá fruto”, disse durante evento da FDC para lançar a Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes (PILT).

Ainda na discussão sobre o frete, o especialista disse enxergar um “vácuo preocupante de intermediação técnica” no País. “A intervenção da instância suprema do Judiciário mediando situações desse tipo nos mostra a grande distorção institucional que o Brasil vive”, opina Resende.

Conforme dados da plataforma lançada nesta quinta-feira pela FDC, os embarcadores de carga deverão ver um aumento de cerca de R$ 130 bilhões de seus custos logísticos até 2035 – cenário que considera a implementação dos principais projetos federais nos setores de rodovias, portos, hidrovias e ferrovias até 2025 e a manutenção do estoque de infraestrutura existente.

Porém, Paulo Resende destaca que essa elevação dos custos nos próximos 20 anos não irá, necessariamente, se reverter em alta do frete. “O frete é um preço final, é uma remuneração final. Você tem a formação dos custos e o frete. Entre o frete e a formação dos custos, você tem a margem, seja do autônomo ou das transportadoras. Se nós tivermos um olhar estratégico, uma das formas de melhorar a margem do caminhoneiro e do transportador é melhorar a infraestrutura brasileira”, conclui.

Primeiro hambúrguer feito por robô chegará a São Francisco – Notícias


(Bloomberg) — No dia 27 de junho, o primeiro hambúrguer do mundo feito por um robô passará por uma esteira transportadora em São Francisco para chegar às mãos do público consumidor.

Talvez este seja o hambúrguer mais veloz do planeta.

O produto da Creator, uma empresa de robótica culinária com sede na região da Baía de São Francisco, é montado e preparado em uma máquina que contém 20 computadores, 350 sensores e 50 mecanismos de acionamento. Ela faz tudo: corta e torra o pão, acrescenta acompanhamentos (a pedido), condimenta e cozinha a carne – em apenas cinco minutos. A carne é moída a pedido – por isso é anunciada como um produto recém-preparado – e obtida de ingredientes de primeira linha. Ela sai da máquina com tomates e alface, uma pitada de tempero e molhos, e então é entregue por mãos humanas ao cliente. O preço: US$ 6.

Conhecida antigamente como Momentum Machines, a Creator foi fundada em 2012 pelo empreendedor Alex Vardakostas, de 33 anos. Ele montou uma superequipe composta por engenheiros, designers e roboticistas da Apple, da Tesla, da Nasa e da Walt Disney Imagineering R&D. A equipe também conta com ex-membros de restaurantes de elite, como Chez Panisse, Momofuku e SingleThread.

O discurso de Vardakostas é simples: máquinas podem preparar hambúrgueres em uma chapa quente e cortar tomates com mais eficiência do que seres humanos e não apresentam o risco à saúde de que algum funcionário vá trabalhar resfriado. Além disso, para as redes sociais é uma mina de ouro contar com uma máquina de comida no melhor estilo Willy Wonka. A engenhoca de 4,2 metros de comprimento, que a equipe chama de “instrumento culinário”, não de robô, tem rampas de vidro que transportam o pão, silos que colocam os molhos e pás que empurram suavemente o hambúrguer ao longo do processo.

“Dia 27 de junho será um grande dia”, diz Vardakostas. “Quando comecei este processo, há oito anos, não era inevitável que isso fosse acontecer com a comida. Hoje não só é inevitável, mas também gera um produto de maior qualidade.”

Lentidão

O fluxo de hambúrgueres será lento no começo. As máquinas – atualmente existem duas – podem produzir até 120 unidades por hora, mas hoje estão mais lentas. Projeta-se que a produção aumentará no futuro; originalmente dizia-se que elas podiam produzir 400 unidades por hora.

O que a concorrência acha de um hambúrguer feito por um robô? “Na verdade, não tenho nenhum comentário”, diz Randy Garutti, CEO da Shake Shack, que chegará a São Francisco neste ano. Mas Josh Capon, da Bowery Meat Co., cujo hambúrguer é frequentemente premiado, está curioso. “Existem variáveis e um toque humano envolvidos no processo de preparação. Treinamos cuidadosamente nosso pessoal para preparar o hambúrguer. Não sei se confiaria a uma máquina a tarefa de preparar meu hambúrguer”, diz ele. Porém, ele aponta para o aspecto econômico do atual negócio dos restaurantes, especialmente em cidades como São Francisco. “Com o custo da mão de obra, é algo interessante para levar em conta. E se o hambúrguer for feito a pedido – além de moído a pedido -, isso me interessa.”

Opinião: Aplicativos não empregam motoristas parceiros – Notícias


As empresas da economia digital e compartilhada são aprovadas por 83% dos brasileiros que utilizaram seus serviços, segundo pesquisa recente da Opinion Box, encomendada pelo portal Mobile Time. É o caso de aplicativos de mobilidade urbana (Uber, 99, Cabify, etc.), venda de produtos (Mercado Livre, Ebay, Alibaba, etc.), viagem (Airbnb, Booking, Trivago, etc.) e entrega (Loggi, Glovo, Rapiddo, etc.).

O que essas empresas têm em comum é a intermediação da oferta de bens e serviços por meio de transações que nascem no ambiente online (via smartphone ou desktop) e são finalizadas com o recebimento do produto ou serviço no mundo offline (físico). Ou seja, de um lado temos o ofertante e do outro um usuário que se utilizou do aplicativo ou site para encontrar opções de consumo.

Hoje existem empresas relacionadas à mobilidade urbana que não possuem veículos e empresas ligadas ao turismo que não têm imóveis, mas que cadastram parceiros na plataforma que oferecerem exatamente estes serviços e produtos. 

É neste cenário que, nos últimos meses, alguns fiscais do Ministério do Trabalho aplicaram multas milionárias a alguns aplicativos de intermediação de entrega por entenderem que seus parceiros, que operacionalizam o serviço final, possuem vínculo de emprego com estas plataformas digitais. Em outras palavras, alguns fiscais estão entendendo que o parceiro motorista de veículo é empregado do aplicativo, que apenas conectou oferta e demanda.

No modelo de negócio dessas plataformas, o parceiro – seja um motorista, proprietário de imóvel ou vendedor – pode se cadastrar apenas estando em condições de prestar seu serviço de transporte, hospedagem ou venda de produtos. Há total autonomia para entrar e sair das plataformas, realizar o serviço ou não e na hora que quiser. Já as avaliações realizadas nos aplicativos pelos usuários servem para os próprios parceiros melhorarem a qualidade do serviço prestado ou para as plataformas digitais resolverem algum problema ocorrido na entrega (mercadoria extraviada, ausência de pagamento etc.).

Considerando a legislação trabalhista brasileira, não estão presentes, portanto, os requisitos essenciais para caracterização do vínculo empregatício. Na realidade, a relação criada entre as partes é de consumo, originada pela disponibilização do serviço de conexão pelas plataformas digitais e a contratação pelos parceiros. Ou seja, um motorista é usuário do aplicativo tanto quanto o consumidor final do serviço de entrega ou viagem. A responsabilidade das plataformas é justamente oferecer condições para que as partes realizem o negócio por meio da cobrança de taxas de intermediação.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) publicou, em abril de 2018, importante estudo sobre efeitos concorrenciais promovidos por este setor. Segundo o órgão regulador, “a economia do compartilhamento pode trazer benefícios tanto para os consumidores quanto para os ofertantes. Os primeiros são beneficiados porque conseguem usufruir de determinados bens de maneira temporária, com uma maior variedade de opções de consumo e com preços geralmente mais baixo. (…) já os ofertantes conseguem ter um acesso mais fácil e eficiente ao mercado consumidor e, ainda, conseguem reduzir significativamente a ociosidade de seus bens. Portanto, elimina-se completamente os custos de transação e as ineficiências relacionadas, criando valor para toda a economia”.

Os números refletem este posicionamento. De acordo com a mesma pesquisa da Opinion Box, dos usuários de smartphone, 74% compraram através de aplicativos ou sites. O transporte privado em táxis e carros particulares é utilizado por 64%. O setor de ingressos e tickets realiza 25% de suas vendas por meio dessas plataformas. E 20% das reservas de hospedagem são realizadas em ambiente online. E os números não param de crescer.

Em um país continental como o Brasil, com cerca de 13 milhões de pessoas desempregadas, estes aplicativos oferecem uma oportunidade de constituição de renda para os parceiros e mais opções de oferta de produtos e serviços, gerando um efeito multiplicador positivo para toda economia.

Cabe ao ecossistema digital explicar cada vez mais como operam estas novas tecnologias para que a modernização do entendimento sobre essas novas relações econômicas chegue ao maior número de pessoas e a inovação prospere no país.

Vitor Magnani é gestor de Políticas Públicas (USP), advogado e especialista em gestão governamental,.presidente da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), fundador do Instituto Startups e Coordenador da Comissão de Economia Digital e Colaborativa da Câmara de Comércio Brasil-Ásia

BC enfrentará pico de vencimento de swaps durante eleição – Notícias


(Bloomberg) — Se por um lado trazem alívio de curto prazo no câmbio, os leilões de swap do Banco Central represam pressões que podem se concretizar em um momento potencialmente mais crítico. A forte intervenção do BC das últimas semanas, para conter a volatilidade do dólar diante da piora do cenário interno e externo, empilhou um estoque de swaps a vencer entre os próximos meses e o início de 2019.

Agosto é um mês-chave. O volume de vencimentos previstos para o início do mês, que era de US$ 5,7 bilhões no final de maio, avançou com os últimos leilões do BC para US$ 14 bilhões, o maior já registrado para um único vencimento. Esses contratos vão expirar justamente no mês em que ocorre a definição das candidaturas presidenciais. Em outubro, quando os brasileiros escolhem o novo presidente, vencem mais US$ 9,8 bilhões. Em 2002, quando o mercado enfrentou forte estresse político, os picos do dólar ocorreram entre o final de julho e as vésperas da eleição, em outubro.

Nada impede que o BC faça as rolagens dos vencimentos, mas a pressão no câmbio poderá se ampliar no caso de agravamento da volatilidade externa ou piora das incertezas políticas. Esses fatores poderiam fazer a demanda, por ora concentrada na procura por hedge e atendida com leilões de swap, evoluir para a compra de dólar para remessas, obrigando o BC a ter de intervir no mercado à vista, com leilões de linha cambial ou de dólares das reservas.

Para Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora, um movimento mais forte de saída de recursos do país deve ocorrer já a partir do próximo mês. Por ora, ele explica que os investidores estrangeiros, já devidamente protegidos com o hedge proporcionado pelos swaps, não devem remeter capital. Mesmo quem retirou os investimentos da bolsa ainda permaneceria no mercado local, rentabilizando seus recursos graças ao nível elevado dos juros. As taxas futuras estão acima de 12% nos contratos mais longos – apesar de o BC ter mantido a Selic estável em 6,5%.

Para o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman, pode haver fuga de capitais antes de “a ficha do mercado cair 100%” sobre risco de vitória nas eleições de um candidato não reformista. Basta ficar muito forte no mercado a ideia de Ciro Gomes X Jair Bolsonaro no segundo turno. “A gente tem certeza que nenhum deles fará as reformas. Cenário sem reformas é cenário em que trajetória de dívida é problemática.”

De 1 a 15 de junho, o fluxo cambial para o país está positivo em US$ 4,76 bilhões. O fato de ainda não se ver fuga de capitais mais forte neste momento se justificaria pela esperança de que candidatos mais palatáveis ao mercado vençam as eleições. “Talvez porque tenha aqui e ali uma ficha na Marina ou porque acham que no final vai ser um confronto entre PT e PSDB de novo”, diz Schwartsman.

O cenário de alta dos juros pelo Federal Reserve, por si só, já pode fazer com que o dólar vá embora do país, diz Bruno Foresti, gerente de câmbio do Banco Ourinvest. O banco central dos EUA sinalizou recentemente a possibilidade de realizar quatro aumentos da taxa no ano, ao invés de três como previsto anteriormente.

A normalização da política monetária dos principais bancos centrais, após anos de estímulos, chega num momento de fragilidade econômica e fiscal no Brasil, agravado pela indefinição do cenário eleitoral. Para Foresti, embora os swaps do BC segurem o câmbio neste momento, o dólar ainda deve superar R$ 4,00 até o fim do ano.

–Com a colaboração de Rafael Mendes.

Empresa japonesa lança terno para substituir uniforme de operários – Notícias


Edurne Morillo.

Tóquio, 21 jun (EFE).- Uniformes de trabalho para jardineiros, garis ou encanadores que imitam perfeitamente um traje social. Esta é a ideia de uma empresa japonesa que quer tornar estes empregos mais atraentes e ajudar os funcionários a socializar.

Terno, calça social e uma camisa branca impermeáveis e flexíveis são algumas das propostas que a Oasys, de Tóquio, lançou para popularizar esses trabalhos e para que os operários possam sair para se divertir depois mesmo usando o uniforme.

Grande parte da sociedade japonesa trabalha como empregado – também conhecidos como “salaryman” (assalariados) -, funcionário público ou em empresas privadas, que se caracterizam pelo uniforme e boa aparência, assim como por homens sempre de terno e gravata e mulheres de saia.

A Oasys teve então a ideia de criar esta linha de roupa de trabalho em 2016, por ocasião dos 10 anos da companhia. Depois de ouvir alguns trabalhadores, ela descobriu que eles não se viam saindo do trabalho para fazer algo com o macacão.

O anúncio da empresa mostra a monótona vida de um japonês que trabalha no setor da manutenção de uma empresa X e que, depois de mudar o uniforme de trabalho por um terno, melhora o estado de ânimo, começa a socializar mais e até trabalhar melhor.

Segundo a empresa, a roupa também pode ser lavada em casa diariamente, tem secagem rápida, não precisa ser passada e pode ser usada durante todas as estações do ano.

Além disso, o material é mais flexível e impermeável à água e à poeira por isso é especialmente adequado para trabalhos com terra, de manutenção ou limpeza.

A primeira linha foi lançada em março, no entanto, o sucesso obrigou a empresa japonesa a fazer uma adaptação para as mulheres em maio e desenvolver peças mais frescas para o verão. A nova versão chega às lojas em agosto.

Várias empresas privadas se interessaram pela novidade. Em média, cada conjunto sai por 30 mil ienes (R$ 980) e, de acordo com a fabricante, acabam com rapidez cada vez que os estoques são repostos.

Além de eliminar o estigma que existe para os operários no Japão, a empresa – que também planeja expandir o raio de atuação para outros países – procura atrair um número maior de jovens para estes empregos – por conta do envelhecimento da população e da escassez de mão de obra.

Pouco depois de lançar o produto no mercado, a companhia fez uma pesquisa e ouviu 100 empresas de trabalhos de limpeza e manutenção, sendo que 67% delas informaram que existe uma imagem negativa relacionada a essas profissões.

IPCA-15 fica em 1,11% em junho ante 0,14% em maio, revela IBGE – Notícias


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 1,11% em junho, após ter avançado 0,14% em maio, informou na manhã desta quinta-feira, 21, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado superou o teto das estimativas captadas pelo Projeções Broadcast. O intervalo ia de 0,54% e 1,07%, com mediana positiva de 1,00%.

Com o resultado anunciado nesta manhã, o IPCA-15 acumulou um aumento de 2,53% no ano, de acordo com o IBGE. Nos 12 meses encerrados em junho, o indicador ficou em 3,68% e, portanto, superou a mediana das projeções (+3,56%). Nesse caso, o intervalo das estimativas ia de avanço de 2,85% a 3,72%.

PF e MPF cumprem 15 mandados de prisão em investigação sobre desvios em obras de Rodoanel de SP – Notícias


(Reuters) – A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram nesta quinta-feira operação para cumprir 15 mandados de prisão como parte de investigação sobre superfaturamento de centenas de milhões de reais em obras do Rodoanel Viário Mário Covas, em São Paulo, iniciadas durante gestão do ex-governador e atual candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB).

De acordo com a PF e o MPF, a chamada operação Pedra no Caminho irá cumprir ainda 56 mandados de busca e apreensão, além de prisões temporárias, na capital paulista e nas cidades de Ribeirão Preto, Bofete, Arujá e Carapicuíba, além de Marataízes, no Espírito Santo.

Um dos principais alvos da operação, segundo o portal de notícias G1, é Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da estatal paulista responsável pelas rodovias do Estado, a Dersa, e atual presidente da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Lourenço foi secretário de Transportes e Logística no governo Alckmin.

“São alvos dos mandados ex-diretores da Dersa, executivos das construtoras OAS e Mendes Junior, de empresas envolvidas na obra e gestores dos contratos com irregularidades”, disse o MPF em comunicado, sem identificar os investigados.

Segundo o MPF, uma apuração do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou um impacto financeiro consistente em acréscimos indevidos que somam mais de 600 milhões de reais nas obras do Rodoanel, que tiveram início em 2013 e ainda estão em andamento.

“Para maquiar o sobrepreço adotou-se a prática de ‘jogo de planilhas’, expediente comum em fraudes a licitações com muitos itens contratados de forma global, em que o licitante oferece preço acima do mercado para alguns itens e abaixo da referência para outros, de modo a colocar-se artificialmente como menor preço global. Esse expediente é comum em fraudes às licitações”, disse o MPF.

O inquérito policial foi instaurado em 2016, após um ex-funcionário de uma empresa que atuou nas obras apresentar à Polícia Federal informações sobre possíveis manipulações em termos aditivos da obra para aumentar o valor pago a empreiteiras que já haviam vencido a licitação para realizar as obras.

No início de abril, o ex-diretor da Dersa durante governos do PSDB Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, foi preso a pedido da força-tarefa da operação Lava Jato em São Paulo sob acusação de ter desviado milhões de reais. Paulo Preto foi solto no fim de maio por ordem do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Procuradas pela Reuters, as empresas Dersa, Cesp, OAS e Mendes Junior não estavam disponíveis de imediato para comentar a operação da PF e do MPF.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)