Brasil seguirá dependente de caminhões por pelo menos 20 anos, diz FDC – Notícias


A matriz brasileira de transporte não deverá passar por significativa alteração nos próximos 20 anos mesmo que o governo federal consiga implementar todos os projetos já em andamento – como duplicações de rodovias e subconcessão de ferrovias como a Norte-Sul – e mantenha o estoque atual em infraestrutura. A constatação é da Fundação Dom Cabral (FDC), que lança nesta quinta-feira, 21, a Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transportes (PILT), construída com base em dados públicos, de órgãos governamentais e de empresas parceiras, como Arteris, Grupo CCR e EcoRodovias.

O diagnóstico da FDC mostra ainda que, com o portfólio atual de projetos federais e se nada mais for proposto, o Brasil continuará dependente das rodovias e com um custo extremamente alto nesse modal até 2035. A instituição estima que o custo total do País com transporte tenha atingido R$ 166 bilhões em 2015 (ano usado como base para os cenários), com 70% desse montante consumido nas rodovias. Em 2035, esse custo subirá para R$ 233,3 bilhões, ao passo que a participação das rodovias nos custos se manterá praticamente igual, em 68%.

Caso os principais projetos federais nos setores de rodovias, portos, hidrovias e ferrovias saiam do papel até 2025 e nada mais seja feito até 2035, o custo logístico dos embarcadores de carga subirá quase R$ 130 bilhões. “E esse custo vai para algum lugar. Ou cai a margem das empresas, ou é repassado ao consumidor final”, afirma Paulo Resende, coordenador do Núcleo de Logística, Infraestrutura e Supply Chain da FDC.

Como a crise recente com a greve dos caminhoneiros expôs, o Brasil precisa investimentos de longo prazo em ferrovias e hidrovias, as mais apropriadas para transportar determinados tipos de cargas por longas distâncias, defende a FDC.

Pelas contas da fundação, se 10% da carga transportada em rodovias (medidas em toneladas por quilômetro útil, TKU) for transferida para as ferrovias, haveria uma economia de custo de 2,4%, equivalente a R$ 4,85 bilhões em 2025 e R$ 5,6 bilhões em 2035. Se as hidrovias assumirem aquele papel, a economia de custo é maior ainda, de 4,5%, correspondendo a R$ 8,92 bilhões em 2025 e R$ 10,3 bilhões em 2035.

Porém, a FDC frisa que, no curto prazo, o planejamento público para o setor não pode deixar de lado as rodovias. “A concentração de fluxos de cargas não permite, de forma nenhuma, que o Brasil tome a decisão brusca de, de repente, partir para a ferrovia e a hidrovia e esquecer das rodovias para transporte de longa distância”, pontua Resende.

O especialista defende que o poder público tenha uma visão “estratégica, e não passional” sobre o modal rodoviário. “Ao planejarmos o curto prazo, não podemos romper o sistema rodoviário. Se rompermos, imediatamente teremos graves problemas, como vimos recentemente”, acrescenta.

Após seis anos, presidente da Embrapa deixará cargo em outubro – 21/06/2018 – Vaivém das Commodities


Maurício Lopes, presidente da Embrapa, deixa o cargo em 12 de outubro, período que encerra seu mandato.

O conselho de administração da Embrapa, reunido nesta quarta-feira (20), decidiu pela abertura do processo de sucessão na presidência em sua próxima reunião, no fim de julho, e o atual presidente não pleiteou ampliação do mandato.

O processo será semelhante ao último realizado para a seleção dos diretores-executivos, em atendimento à Lei das Estatais.

Segundo informações, o processo de sucessão da presidência da Embrapa não altera a revisão estrutural, conduzida pela diretoria-executiva e atualmente em discussão com os empregados.

Não haverá mudança estrutural antes da conclusão do processo de sucessão na empresa. Caberá ao novo presidente e aos atuais diretores-executivos a decisão por sua implantação em acordo com os órgãos superiores.

A gestão de Maurício Lopes, no cargo desde 2012, gerou algumas polêmicas na empresa. Uma delas foram as críticas do pesquisador Zander Navarro, feitas no início deste ano.

Para ele, houve uma substituição de pesquisadores por uma geração com pouco vínculo com a agropecuária.

Além disso, a Embrapa não teria ajustado a agenda de pesquisas às demandas crescentes da agropecuária.

Os trabalhos da empresa cada vez mais se voltam para ricos segmentos do empresariado rural, afirmou Navarro.

Em resposta ao pesquisador, à época, a empresa disse que os resultados dos trabalhos são amplamente divulgados e que há um aprimoramento constante da prática de gestão.

A empresa informou em nota, ainda, que as tecnologias desenvolvidas são voltadas para todos os segmentos da agropecuária.

Navarro foi demitido e, após decisão judicial, retornou ao trabalho.

A gestão de Lopes está sendo marcada, ainda, por polêmicas devido a uma proposta de atualização da empresa.

As propostas estão sendo feitas por uma força-tarefa e têm gerado descontentamento de parte dos funcionários da empresa. 

As reformas vão desde a retirada de nomes específicos das Embrapas regionais (que passariam a ser apenas Embrapa em todo o país) à junção de áreas administrativas de várias unidades.

A Embrapa tem afirmado que essas propostas de reformas são para dar mais agilidade à empresa.

 

Procura externa pela soja brasileira segura ritmo de queda

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e as perspectivas, por ora, de uma boa safra americana de soja começam a fazer efeito sobre a renda dos produtores brasileiros.

O contrato de julho da leguminosa foi negociado, em média, a US$ 10,24 por bushel (27,2 quilos) no mês passado. Nesta quarta-feira (20), a soja esteve a US$ 8,90 na Bolsa de Chicago.

A queda se refletiu no preço recebido pelo produtor. No início de junho, a saca de soja valia R$ 70 em Sorriso (MT). Nesta quinta, estava em R$ 62, segundo Adriano Gomes, analista de mercado da AgRural.

Boa parte dessa queda dos preços da soja no Centro-Oeste se deve, porém, à confusão instalado no setor com o tabelamento de frete.

Não fosse a evolução nos custos dos fretes, a queda poderia ter sido menor, uma vez que a demanda pela soja brasileira continua aquecida.

Em Paranaguá, a saca recuou apenas R$ 4 neste mês, para R$ 83 nesta quarta. O ritmo menor da queda se deve ao pagamento de um prêmio pelo produto brasileiro de US$ 1,50 por bushel.

Esse prêmio mostra quanto o valor da soja brasileira, negociada em Paranaguá, supera o da leguminosa na Bolsa de Chicago.

Há duas semanas, o pagamento do prêmio estava entre US$ 0,80 a US$ 0,85, segundo Gomes.

O dólar em alta deveria elevar as receitas em reais, mas as indefinições no mercado de frete fazem com que os compradores fiquem retraídos.

Com o comprador fora do mercado e preços em queda, o produtor também fica retraído, segundo o analista da AgRural.

O primeiro contrato de soja fechou nesta quarta-feira em US$ 8,8950, valor próximo dos US$ 8,8900 de terça-feira (19), quando havia registrado forte queda.

Na liderança A região paulista de Barretos foi a que obteve o maior Valor Bruto de Produção da agropecuária no estado, em 2017, conforme estimativas do Instituto de Economia Agrícola.

Mudança de posição Classificada em segundo lugar em 2016, Barretos assumiu a liderança em 2017 ao somar R$ 3,83 bilhões de receitas agropecuárias. Em segundo lugar, vem São João da Boa Vista, com R$ 3,47 bilhões.

Total O Valor Bruto da Produção do estado somou R$ 76,2 bilhões em 2017. Esses dados proveem da produção e de preços das cadeias de produtos animal e vegetal de 50 produtos selecionados.

Troca de poder após 36 anos gera acusações em confederação do comércio – 20/06/2018 – Mercado Aberto


Os dois grupos que devem se enfrentar nas eleições da CNC (Confederação Nacional do Comércio) trocam acusações.

Depois de 36 anos de liderança de Antonio Santos, a entidade, cuja receita prevista para este ano é de R$ 12 bilhões, terá no dia 27 de setembro uma eleição disputada por mais de uma chapa.

O grupo de oposição definiu que será representado por Adelmir Santana, da Fecomércio-DF. Já é o segundo nome que a corrente testa, depois da tentativa com o deputado federal Laércio Oliveira (PP-SE), do Sergipe.

“Eu havia sido escolhido em janeiro e fiz enfrentamentos na diretoria sozinho. Isso me trouxe desgaste na CNC, e o grupo achou que, se trocássemos o nome, talvez nós nos fortalecêssemos”, diz Oliveira. 
A corrente tem cerca de 5 dos 28 votos, afirma o candidato Adelmir Santana.

“Estou na luta para explicar que não se pode continuar com essa forma de gerir as coisas”, afirma. O oposicionista diz que o nome da situação, José Roberto Tadros, tem uma “mácula”: uma multa do TCU por nepotismo.

Quando Tadros era do conselho do Sebrae-AM, seu filho tinha cargo na entidade. Ele diz que vai recorrer e que o tribunal não entende o funcionamento do Sebrae.

Tadros diz que seu concorrente também elegeu o presidente atual: “O Adelmir está na entidade há 20 anos. Se esse grupo está à frente da CNC por 36 anos, foi com o voto dele”.

Ele não nega a sintonia com o incumbente, mas diz ser independente. “Tenho carreira sindical e sou formado em direito, não sou vassalo de ninguém.”

 

À espera das chuvas

O mercado livre de energia (em que clientes escolhem de quem contratar) se tornou menos vantajoso para novos clientes em 2018, sobretudo em São Paulo, segundo a comercializadora FDR.

O estado caiu cinco posições, desde janeiro, no ranking da companhia que mede quão viável seria migrar.

O reajuste tarifário das distribuidoras paulistas está menor que no resto do país e o preço a curto prazo, usado como referência, está acima da média histórica, diz o diretor-executivo, Erick Azevedo.

Uma migração mais forte rumo ao ambiente livre só deverá ocorrer em 2020, após o próximo ciclo de chuvas, diz Paulo Toledo, da Ecom.

“Temos aconselhado algumas empresas a não migrar este ano, apenas para prepararem toda a operação para quando os preços caírem.”

 

Bolão executivo

Rafael Paniagua
presidente da ABB no Brasil

A Espanha deverá golear o Irã nesta quarta (20) por pelo menos três gols, diz Rafael Paniagua, presidente da ABB, de equipamentos industriais.

O espanhol torce para uma final entre Brasil e seu país, mas não escolhe um vencedor: “O coração fica dividido”.

A Copa do Mundo não afetou os planos da ABB para o Brasil, afirma o executivo. “Este ano tem sido bem melhor que 2017, tivemos crescimento neste trimestre e também deveremos ter no próximo.”

Ficha técnica

País: Espanha
PIB: Cerca de R$ 5,02 tri*
Inflação em 2017:  1,1%
Desemprego 1º trimestre de 2018:  16,7%
Principal importação do Brasil: Óleo bruto de petróleo

Seyed Ali Saghaeyan
embaixador do Irã no Brasil

Apesar do bom resultado diante do Marrocos, o Irã deverá ter mais dificuldades para  vencer a seleção espanhola nesta quarta (20), segundo o embaixador iraniano no Brasil, Seyed Ali Saghaeyan.

“Eles estão entre melhores. Nós temos jogado bem e o esporte é muito popular entre meus conterrâneos”, afirma.

O diplomata vai torcer pela sua seleção, mas espera que o Brasil esteja na final. “Rússia e Senegal têm surpreendido e podem vencer também”, diz.

Ficha técnica
País: Irã
PIB: Cerca de R$ 1,56 tri*
Inflação em 2018: 12,1% (estimativa do FMI)
Desemprego em dezembro de 2017: 11,9%
Principal importação do Brasil: Milho

*em 2017, no câmbio atual

 

Gripe deverá custar R$ 14 bilhões a empresas do Brasil em 2018

O impacto financeiro provocado pela gripe em empresas que oferecem planos de saúde a funcionários no país deverá ser de R$ 14 bilhões neste ano, segundo a Advance Medical, de serviços médicos.

O valor é 16,6% maior que o registrado em 2017.

O levantamento leva em conta as entradas em PS (pronto-socorro) e os procedimentos médicos feitos por pacientes com a doença.

A infecção pelo vírus Influenza chega a responder por cerca de 30% da demanda nos PSs entre maio e setembro, diz a empresa.

O acesso ao atendimento de urgência e emergência corresponde em média a 15% dos custos dos planos, de acordo com o estudo.

“A maior parte desse gasto é desperdício porque 80% dos pacientes com gripe não precisariam de atendimento hospitalar”, afirma o diretor-geral, Caio Soares.

A epidemia em funcionários que não estão bem orientados sobre quando devem procurar atendimento aumenta em 5% a sinistralidade e influencia na alta dos planos, diz ele.

 

Desconto… A Petrobras fez um leilão de biodiesel que aumentou o valor do insumo em 8,5%. Isso deve atrapalhar mais os planos do governo para baixar o preço do litro do diesel em R$ 0,41.

…decrescente A alta impactará esse tipo de biodiesel em R$ 0,20, e como ele representa 10% do volume do diesel, na bomba isso significará R$ 0,02, segundo entidades do setor.

Pés A alíquota de tênis feitos fora do país foi mantida em 35% pela Camex. Os importadores tentavam reduzir para 20%.

 

com Felipe Gutierrez, Igor Utsumi e Ivan Martínez-Vargas

Para aliviar operário, saco de cimento passará de 50kg para 25kg em 10 anos – Notícias


Empresas cimenteiras deverão reduzir o peso das embalagens de cimento pela metade em 10 anos. Empresários do setor assinaram um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) por meio do qual deverão cortar de 50 kg para 25 kg o peso da embalagem de cimento até dezembro de 2028.

Segundo o MPT, o objetivo é preservar, principalmente, a saúde dos empregados que trabalham nas distribuidoras de cimento, em lojas de material de construção e nos canteiros de obras. Devido ao peso das embalagens, há risco de problemas de saúde, como lesão na coluna, e de acidentes de trabalho. 

“Nos últimos seis anos, tivemos gastos da Previdência Social, somente com afastamentos de trabalhadores por motivo de acidentes de trabalho, de mais de R$ 28 bilhões. Por outro lado, as empresas também perdem com o absenteísmo [afastamento] de seus empregados”, lembrou o procurador-geral do MPT, Ronaldo Fleury, por meio de nota.

Embalagens de 50 kg serão apenas para exportação

De acordo com o Ministério Público do Trabalho, a partir de janeiro de 2029, embalagens mais pesadas somente poderão ser produzidas para exportação. As empresas se comprometeram a suspender a venda de sacos de cimento com peso acima de 25 kg no país mesmo se ainda tiverem material em estoque.

O termo de compromisso foi assinado nesta segunda-feira (18), em São Paulo, pelo Ministério Público e representantes de 33 empresas produtoras de cimento. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) também participaram da negociação.

Na avaliação do Cade, o prazo de 10 anos é “razoável” para que todos os setores da indústria possam se adaptar à nova regra. “Isso vai evitar problemas de ordem competitiva entre as empresas”, disse o presidente do Cade, Alexandre Barreto, por meio da nota do MPT.

O Ministério Público do Trabalho disse que o acordo foi negociado ao longo de quatro anos. O objetivo foi aproximar a indústria brasileira de normas nacionais e internacionais.

A Convenção nº 127 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), à qual o Brasil aderiu, estabelece que não se pode exigir de um trabalhador o transporte manual de uma carga que possa comprometer sua saúde.

Em sua argumentação, o MPT citou ainda a Constituição, segundo a qual o trabalhador tem direito à redução de riscos ligados à sua atividade. A CLT, no entanto, permite um limite máximo de 60 kg para o peso que um trabalhador pode levantar individualmente.

“Para o MPT este parâmetro está defasado, principalmente em relação à Constituição e as normas e valores de referência internacionais”, disse o órgão, em nota.

Investir em criptocorrência parece ter investido na Internet há 10 anos



Muitos dos que investiram e se interessaram pelos mercados de criptomoedas estavam por perto para a ascensão e queda da era Dot-com e o nascimento da internet pública generalizada. O estouro da bolha da Dot-com está sendo constantemente usado em argumentos de que a criptomoeda sofrerá o mesmo destino, levando os mercados a um fechamento violento. Estamos adiantados para a festa ou apenas para a decepção? Boom And Bust É seguro dizer que qualquer um que tenha
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Há 90 anos, Amelia Earhart era a 1ª mulher a cruzar o Atlântico de avião – Economia


A história de Amelia Earhart já foi contada até em filme (foto: Smithsonian Institution)

A norte-americana Amelia Earhart foi uma das pioneiras da aviação. Sua fama mundial começou há exatos 90 anos, quando se tornou a primeira mulher a fazer uma travessia aérea pelo oceano Atlântico. No dia 17 de junho de 1928, aos 30 anos de idade, Amelia decolava de Terra Nova (Canadá) a bordo do Fokker F.VIIb/3m para uma viagem de 3.600 quilômetros e 20 horas e 40 minutos de duração até Burry Port (País de Gales).

Nesse voo histórico, Amelia ainda não estava no comando do avião. Ela viajava apenas como passageira. O Fokker F.VIIb/3m era comandado pelo piloto Wilmer Lower Stultz com o auxílio do copiloto e mecânico Louis Edward Gordon. Nem por isso o feito de Amelia foi menos valorizado na época.

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No dia seguinte ao voo, a aventura de Amelia ganhava as manchetes de jornais em todo o mundo. O sucesso do voo se tornava ainda mais histórico porque no mesmo ano outras três mulheres que voavam como passageiras já haviam morrido tentando serem as primeiras a realizar uma travessia aérea pelo Atlântico.

 Com o patrocínio de outra mulher

A ideia de fazer o primeiro voo transatlântico com uma mulher a bordo surgiu da socialite americana Amy Phipps. Foi ela quem arrendou o avião para essa missão. O plano original é que ela mesmo estivesse a bordo do Fokker F.VIIb/3m naquele 17 de junho. No entanto, por conta dos riscos da viagem, Amy foi convencida pela família a desistir da ideia.

Foi então que Amelia Earhart, que já era piloto de avião há cinco anos, foi convidada a participar do voo. Ela só não poderia estar no comando da aeronave porque ainda não tinha a licença para fazer voos por instrumentos. Sua licença permitia apenas voos visuais, com a navegação baseada em referências no solo.

Entre as pioneiras, Amelia Earhart é a mais famosa (foto: Smithsonian Institution)

Uma ponta de frustração e um novo desafio

O fato de ter sido apenas uma passageira durante o voo não deixou Amelia completamente satisfeita. Em suas primeiras entrevistas após o pouso, ela teria dito: “Stultz fez todo o voo. Eu fui apenas bagagem, como um saco de batatas. Talvez um dia eu tente sozinha”.

Amelia não só tentou como, quatro anos mais tarde, se tornou a segunda pessoa e a primeira mulher da história a fazer sozinha a travessia aérea do Atlântico. Com isso, Amelia se igualava ao aviador Charles Lindbergh.

Após esse feito, Amelia recebeu a condecoração Distinguished Flying Cross, um reconhecimento das Forças Armadas dos Estados Unidos por atos de heroísmo e conquista extraordinária em missões aéreas.

Amelia desapareceu em 1937 quando tentava entrar para a história mais uma vez. Durante uma das etapas de sua viagem de volta ao mundo, o avião Lockheed L-10 Electra desapareceu no oceano Pacífico. Os corpos de Amelia Earhart e do navegador Fred Noonan nunca foram encontrados.

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US$ 10 trilhões: Bilionário Prevê Bitcoin Com 10% do Mercado Financeiro Global em Dez Anos


(Foto: Shutterstock)

O bilionário investidor americano Tim Draper reiterou sua previsão de US$ 250 mil para o preço do Bitcoin até 2022 e falou sobre a situação atual do mercado de criptomoedas em uma entrevista ao The Street em maio, quando participava da conferência de tecnologia Collision em Nova Orleans (EUA).

O primeiro discurso sobre esta previsão foi feito na Draper University, Califórnia, e foi transmitido ao vivo no Youtube em meados de abril deste ano, quando ele disse que “estava pensando em US$ 250 mil por Bitcoin até 2022” e que não ligaria se o “chamassem de louco, mas que seria incrível”.

Draper tem sido um dos maiores entusiastas das criptomoedas, mesmo durante o período de maior baixa no preço do Bitcoin. Ele também é conhecido por ter comprado em torno de 30.000 BTCs do Silk Road, leiloados pelo Marshals Services dos EUA, a US$ 650 dólares a unidade.

Confiança continua forte

Ao The Street, Draper disse que a recente desaceleração do mercado não fez com que sua confiança nessa previsão mudasse.

“Em termos de preço, continuaremos a ver o Bitcoin subir. Eu revisei minha estimativa para US$ 250 mil em quatro anos, então veremos o Bitcoin negociando a marca de US$ 250 mil em 2022”.

O investidor disse, ainda, que ele se baseou no mercado tradicional, onde o mercado global de divisas (dinheiro), segundo ele, atingirá US$ 140 trilhões na próxima década.

“Espero que, uma vez que as criptomoedas aumentem à velocidade do dinheiro, o atual mercado global de moeda de US$ 86 trilhões crescerá para cerca de US$ 140 trilhões nos próximos 10 anos, e esse crescimento será em criptomoedas. Na verdade, eu estimo que as moedas fiduciárias vão diminuir em uso, e que as criptografadas vão representar até US$ 100 trilhões desse mercado. Espero que o Bitcoin seja cerca de 10% desse mercado, ou US$ 10 trilhões. Há muito espaço para crescer até lá”.

O bilionário está envolvido num plano da elite americana que tem como objetivo dividir a Califórnia em três estados e, segundo ele, uma forte mudança deve acontecer em relação à adoção do meio de pagamentos por criptomoedas, bem como usá-las como reserva de valor.

“Acredito que em cerca de quatro anos haverá uma grande mudança quando as pessoas começarem a pagar em criptomoedas. A lentidão nos blocos do Bitcoin o deixava em condição de reserva de valor, mas isso mudou e as tecnologias agora estão facilitando seu uso para pequenos pagamentos”.

Draper se referiu a soluções de escalonamento de segunda camada, como a Lightning Network que resolve a maleabilidade das transações. Ele acredita que “a moeda fiduciária acabará se tornando tão ultrapassada quanto tentar pagar pelo café com moedas de um centavo”.

Independente do preço do Bitcoin, Draper diz que não tem intenção de se desfazer deles, pois segundo ele, estaria voltando ao passado.

“Estou pensando a longo prazo, vou usá-lo, gastá-lo, investi-lo ou apenas mantê-lo, concluiu Draper.

Tim Draper é o sócio-fundador da Draper Associates e da DFJ. Ele teve papel relevante no sucesso do Hotmail, Skype e fez investimentos em empresas emergentes como Twitch.TV e Tesla.

 

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Com diesel subsidiado, gasto com obras públicas deve ser o pior em 12 anos – Notícias


Os investimentos do governo federal (como obras públicas), que já são baixos, serão sacrificados e deverão registrar em 2018 o pior resultado em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 12 anos.

Entre as razões, estão as concessões aos caminhoneiros, como subsídio ao diesel, e a desaceleração recente da economia.

Fontes internas do governo estimam que os gastos federais com investimentos deverão ficar perto de 0,6% do PIB, ou de R$ 40 bilhões, no fechamento do ano.

Se concretizado, o resultado será o menor da série histórica iniciada pelo Tesouro Nacional em 2007, representando mais uma trava para o crescimento do país.

Os números do Tesouro mostram que, em 2017, os investimentos do governo federal foram de 0,7% do PIB ou R$ 45,7 bilhões. Esse já foi o pior desempenho da série histórica, atrás apenas do registrado em 2007. Naquele ano, os investimentos representaram 0,8% do PIB ou R$ 21,8 bilhões.

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Os investimentos federais se traduzem em obras públicas, por exemplo, e são cruciais para o crescimento da economia. De um lado, eles ajudam o país a recompor a sua infraestrutura. De outro, aumentam a confiança dos empresários e incentivam os investimentos na área privada.

Veja os investimentos federais ano a ano*:

  • 2007: 0,8% do PIB (R$ 21,8 bi)
  • 2008: 0,9% do PIB (R$ 28,1 bi)
  • 2009: 1,0% do PIB (R$ 34,0 bi)
  • 2010: 1,2% do PIB (R$ 44,7 bi)
  • 2011: 1,2% do PIB (R$ 52,6 bi)
  • 2012: 1,2% do PIB (R$ 59,4 bi)
  • 2013: 1,2% do PIB (R$ 63,2 bi)
  • 2014: 1,3% do PIB (R$ 77,5 bi)
  • 2015: 0,9% do PIB (R$ 55,5 bi)
  • 2016: 1,0% do PIB (R$ 64,8 bi)
  • 2017: 0,7% do PIB (R$ 45,7 bi)*

Fonte: Tesouro Nacional

* Valores não atualizados pela inflação

Subsídio para o diesel reduz dinheiro para obras

Geralmente, em ano de eleições, como os candidatos querem agradar as suas bases nos estados, há uma aceleração nos desembolsos para a realização de obras, por exemplo.

No entanto, com a crise econômica e a promessa do governo de tirar R$ 9,5 bilhões do próprio bolso para subsidiar a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel nas refinarias, economistas ouvidos pelo UOL afirmam que o espaço para a realização de investimentos será praticamente zero.

Na prática, como as regras do Orçamento público são rígidas e o governo não tem opções para cortar gastos, o investimento, que não é obrigatório, acaba sacrificado.

“O Orçamento tem muitos gastos obrigatórios. Num governo fraco, as pressões são por mais populismo, como no caso do subsídio para combustíveis, e não por maiores investimentos. Nessa política, a postura do governo é a de cortar migalhas”, disse o especialista em contas públicas Raul Velloso.

“O investimento, que já era um preso na direção da cadeira elétrica, é destruído de vez”, afirmou Velloso.

Investimentos devem cair até dezembro

Nos quatro primeiros meses deste ano, os investimentos públicos federais somaram R$ 12,1 bilhões. Sem considerar a inflação, o valor representa uma alta de 48,3% na comparação com o total de R$ 8,1 bilhões registrado no mesmo período de 2017. Na comparação com o desempenho da economia, no entanto, os gastos passaram de 0,12% do PIB para 0,17% do PIB.

“No começo deste ano, os investimentos cresceram, mas devido ao grande represamento que aconteceu no ano passado por conta do elevado contingenciamento [corte de gastos promovido pelo governo para permitir a meta de economia para o ano]”, disse o economista Manoel Pires, coordenador do Observatório de Política Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

“A tendência para o restante do ano é de queda. É possível que o investimento fique próximo do valor do ano passado, que foi um valor muito baixo”, afirmou Pires.

O economista disse que, na ausência de reformas que possam reduzir despesas obrigatórias, como a da Previdência, o governo vai cortar gastos “até onde for possível”. “Esse enredo está traçado para este e para o próximo ano”, afirmou.

Gastos no setor privado devem subir menos

A greve dos caminhoneiros também levou a uma queda nas projeções para os investimentos privados em 2018.

Depois dos protestos, os economistas que produzem o Boletim Macro, do Ibre/FGV, reduziram de 4,3% para 4% a estimativa para o crescimento da chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). No início do ano, a projeção era de uma alta de 5,4%.

O indicador representa a soma dos investimentos públicos e privados no país, que ficou perto de R$ 1,03 trilhão no ano passado. O valor representou 15,6% do PIB em 2017 e deve chegar perto de 16% este ano.

“Apesar de a nova projeção de crescimento, de 4%, ser pequena, deve ser a primeira alta após quatro anos de queda nos investimentos”, disse o pesquisador do Ibre Marcel Balassiano.

Na avaliação do economista, o maior impacto da greve foi no sentido de gerar incerteza. Menos confiantes, famílias consomem menos e empresas cortam investimentos.

“Já existia uma dúvida natural com as eleições. A greve trouxe incerteza”, afirmou.

Taxa anual de crescimento dos investimentos (FBCF = públicos + privados):

  • 2013: 5,8%
  • 2014: -4,2%
  • 2015: -13,9%
  • 2016: -10,3%
  • 2017: – 1,8%
  • 2018: 4,0%

Fonte: Projeções do Ibre/FGV

Governo diz atuar para que empresas ampliem gastos

O Ministério do Planejamento disse em nota que os investimentos, por se tratarem de despesas “menos rígidas”, estão mais sujeitos a “ajustes em período de restrições fiscais mais fortes, como o que ocorre atualmente”.

Mesmo nesse cenário, o Planejamento disse que o governo tem atuado para trazer mais eficiência para os investimentos em infraestrutura. Esses esforços, segundo o órgão, incluem a conclusão de obras já iniciadas e a retomada de outras que estavam paralisadas.

“Além disso, há atuação no sentido de tornar o setor privado protagonista no investimento em infraestrutura, com melhorias regulatórias e programas de parcerias em concessões”, disse o órgão, em nota.

Dólar volta a operar em alta, perto de R$ 3,72, após maior queda em 9 anos – Economia


  • Getty Images

O dólar comercial operava em alta nesta segunda-feira (11). Por volta das 9h15, a moeda norte-americana avançava 0,44%, vendida a R$ 3,723.

Na última sexta-feira (8), o dólar despencou 5,6%, cotado a R$ 3,706 na venda, na maior desvalorização percentual diária desde 13 de outubro de 2008, no auge da crise financeira mundial. A queda do dólar veio após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciar reforço na atuação no mercado.

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Até o momento, o BC não anunciou leilão de novos swaps cambiais (equivalentes à venda de dólar no mercado futuro) para esta sessão. Ele vinha ofertando até 15 mil contratos desde 21 de maio passado. De 14 a 18 de maio, o BC também tinha feito oferta extra, mas de até 5.000 contratos
novos.

O mercado também acompanha o cenário político, que vem causando turbulências com a proximidade das eleições presidenciais. Investidores temem que um candidato menos preocupado com o controle dos gastos públicos saia vencedor das eleições presidenciais de outubro. 

(Com Reuters)

5 anos depois, o que aconteceu com as reivindicações dos protestos que pararam o Brasil em junho de 2013? – Notícias


Cinco anos depois dos protestos que pararam o Brasil, muitas das pautas que levaram milhares de pessoas às ruas ainda não foram atendidas.

Inicialmente uma série de manifestações contra o aumento das tarifas do transporte público, a mobilização foi adquirindo uma pauta diversa conforme foi ganhando corpo. E revelou uma insatisfação com a classe política que não arrefeceria – pelo contrário, evoluiria até se tornar personagem central das eleições presidenciais deste ano.

Há quem considere junho de 2013 um mês que não terminou, e que dialoga diretamente com a crise econômica e política vivida hoje pelo país, além de ter dado vazão aos anseios de uma população que continua querendo serviços públicos melhores e o fim da corrupção.

Mas afinal, dentre os principais itens da difusa lista de desejos dos manifestantes, quais foram atendidos? E quais acabaram deixados para trás?

Tarifa do transporte público

No dia 6 de junho de 2013, o MPL (Movimento Passe Livre) se mobilizava contra o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trens em São Paulo, repetindo manifestações que já haviam sido bem-sucedidas em cidades como Florianópolis e Salvador. No dia seguinte, voltaram às ruas.

Fizeram ainda outros dois atos cada vez maiores. No dia 11 de junho, ônibus e agências bancárias foram depredadas por personagens novos, os black blocs. No dia 13, houve enfrentamento, e a Polícia Militar disparou bombas de gás e balas de borracha, deixando manifestantes e jornalistas feridos.

A revolta com a reação policial deu o fôlego que os protestos precisavam para ganhar o país, ao mesmo tempo em que levou à pulverização das reivindicações. “Não é pelos 20 centavos”, diziam os cartazes em referência ao valor do aumento da passagem em São Paulo, que à época subiria para R$ 3,20.

A reivindicação que deu origem a todo o processo inicialmente surtiu efeito, lembra o professor Cesar Jimenez-Martinez, da Universidade Brunel, na Inglaterra, que transformou as jornadas de junho de 2013, o papel da mídia e o impacto para a imagem do Brasil em tese de doutorado pela universidade britânica London School of Economics (LSE).

Rio de Janeiro e São Paulo, já no dia 19 de junho, foram as primeiras cidades a congelar o preço das passagens.

Um aumento ainda superior, porém, ocorreria no início do ano seguinte em São Paulo, quando passou a custar R$ 3,50. Em 2015, pularia para R$ 3,80 e, no inicio deste ano, para R$ 4.

Manifestações posteriores contra os reajustes jamais conseguiram repetir a adesão de 2013. Sofia Salles, militante do MPL, pondera, contudo, que a inclusão, em 2015, do transporte como direito social na Constituição e a criação do passe livre para estudantes em São Paulo durante a gestão de Fernando Haddad – benefício extinto por seusucessor, João Dória – foram resultado da luta em 2013.

O então congelamento das tarifas em 2013 não foi, porém, suficiente para dar fim aos os protestos, que naquele momento já tinham ganhado outras motivações.

Poucos dias antes, milhares haviam passado a não apenas a apoiar o MPL, mas também foram às ruas em centenas de cidades.

O marco inicial das megamanifestações no país inteiro foi o dia do pontapé inicial do torneio internacional de futebol Copa das Confederações, no dia 15 de junho – uma espécie de aquecimento para a Copa do Mundo, que ocorreria no ano posterior e já enfrentava grande oposição de parte da população.

Dois dias depois, manifestantes subiram no telhado do Congresso Nacional, em Brasília, no que se transformaria em um dos momentos mais icônicos desta década. Além disso, transformaram locais como a Praça da Estação, em Belo Horizonte, e a avenida Rio Branco, no Rio, em um mar de gente.

Investimentos na saúde

“Desculpe o transtorno, estamos mudando o Brasil”, diziam cartazes que podiam ser avistados em diferentes cidades.

Não foram poucas as comparações entre os investimentos então sendo feitos em estádios para a Copa com a situação da saúde do país.

Pressionados, o governo Dilma Rousseff e o Congresso tentaram responder às demandas.

A presidente fez um pronunciamento na TV prometendo e trazer mais médicos do exterior para melhorar o Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente no interior do país. O resultado foi o programa “Mais Médicos”, que teve como resultado a atração de profissionais cubanos ao Brasil, gerando críticas da classe médica.

Meses depois, o Congresso aprovaria e a petista sancionaria um projeto de lei destinando percentuais do pré-sal para a saúde e a educação.

No fim de 2016, diante da grave crise econômica, o governo Michel Temer anunciou a criação de um teto de gastos para o governo federal, o que para muitos acabou limitando o avanço do investimento nessas áreas.

E mais recentemente, retirou alguns recursos dessas pastas para atender à reivindicação do caminhoneiros por diesel mais barato na recente greve que parou o país.

Combate à corrupção

À época, Dilma também fez uma reunião emergencial com governadores e prefeitos e propôs cinco pactos (pela saúde, educação, transporte, reforma política e responsabilidade fiscal), além de um plebiscito para uma constituinte da reforma política, bandeira defendida pelo PT. Esses, no entanto, nunca foram adiante.

Além dos pedidos por mais saúde, educação e segurança, tinha gente contra a Copa, contra a Olimpíada do Rio – que acabou transcorrendo normalmente, apesar de protestos às vezes violentos -, e contra a PEC 37, que limitava o poder de investigação do Ministério Público.

Mas muitos foram protestar sobretudo contra a corrupção. “Junho foi uma catarse coletiva muitidimensional com muitos setores, com muitas pautas. Tem um claro conteúdo de frustração com o ambiente politico, de raiva”, observa a cientista política Esther Solano, professora da Unifesp, autora de diversos artigos sobre os megaprotestos que marcaram o Brasil.

Como resposta do Congresso, deputados e senadores fizeram uma lista de projetos que estavam parados ou tramitavam lentamente nas duas Casas. Alguns acabaram avançando e outros foram derrubados.

Foi aprovada, por exemplo, a Lei Anticorrupção, que pune empresas e permite acordos de leniência em casos de crimes contra a administração pública. Também passou uma proposta que define o que é organização criminosa e estabelece regras para acordos de delação premiada – usados em larga escala a partir de 2014 na operação Lava Jato.

A PEC 37, por sua vez, não foi aprovada, como queriam os manifestantes, e membros do Ministério Público mantiveram a prerrogativa de conduzir investigações.

Câmara e o Senado aprovaram ainda o fim do voto secreto em caso de cassação de mandato de parlamentar.

Outros projetos que ficando para trás no Congresso, como o que transforma corrupção em crime hediondo e o que acaba com o foro privilegiado – que só seria alterado neste ano, mas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que corte determinou que apenas crimes cometidos no mandato seria julgados diretamente por ela..

A reforma política pedida também acabou não implementada. Para Solano, ainda é preciso mais pressão popular para forçar uma mudança desse quilate.

“Obviamente, uma reforma tão potente, de reestruturação do sistema que tire privilégios de uma casta política, não vai vir de cima. As camadas politicas elitizadas que se beneficiam desse sistema não vão querer autoimplodir o sistema”, avalia Esther Solano.

Projeto de lei ‘cura gay’

Assunto em voga à época, o projeto batizado de “cura gay”, defendido pela bancada evangélica, previa permitir tratamento psicológico para paciente com “transtorno de orientação sexual”, o que é proibido, era alvo frequente das manifestações.

A proposta foi arquivada pelo então presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (MDB-RN), mas voltou a ser apresentada em 2016 e ainda hoje tramita na Casa.

O Congresso que acabou eleito em 2014 se mostrou ainda mais conservador. A bancada BBB – sigla para boi, bíblia e bala, englobando parlamentares ruralistas, religiosos e defensores de mais severidade na condução da segurança pública – é, hoje, uma força dentro das Casas.

As heranças de 2013

Para o historiador Lincoln Secco, professor da USP, “junho de 2013 foi uma ruptura na história do Brasil”.

Iniciado pelo que o professor chama de “esquerda autônoma”, as manifestações atraíram também representantes da direita.

Os professores Solano e Jimenez-Martinez, por sua vez, salientam que junho de 2013 foi marcado pela ausência de lideranças oficiais e de pauta especifica de reivindicação, o que dificultou a negociação com o setor público.

“Antigamente tínhamos só uma estratégia de protesto, que era o típico protesto verticalizado, organizado com uma pauta definida. Era muito mais fácil negociar com esses grupos, que tinha liderança, pauta definida, uma agenda definida. Agora você tem uma multiplicidade de formas de protestos, além dos tradicionais, há os mais contemporâneos, espontâneos, sem liderança definida, mais fluidos e heterogêneos”, diz a professora.

Os pesquisadores destacam como herança, porém, o importante papel que as redes sociais assumiriam para a organização de atos e também como plataforma para novos “porta-vozes” de demandas difusas.

Nesse quesito, no entanto, Brasil não inovou. Essa era também a marca de manifestações contemporâneas, como a Primavera Árabe, que eclodiu em 2011, e do movimento Occupy, que atraiu multidões em Nova York e em Londres no mesmo ano.

E esse modelo horizontalizado e apartidário se repetiu outras vezes como, por exemplo, com a ocupação em escolas por estudantes secundaristas em São Paulo em 2015 e a greve dos caminhoneiros neste ano.

Polarização

Cinco anos depois dos megaprotestos, o Brasil se vê extremamente polarizado entre direita e esquerda.

Solano diz que, depois de junho, todas as pautas não foram atingidas, “mas o Brasil começou a ver pessoas falando mais sobre política”.

O país também passou a assistir a grupos indo às ruas pedindo abertamente intervenção militar e defendendo pautas mais conservadoras.

Segundo a professora, “a política está na pauta, no centro do debate, só que muito mais canalizado pela direita”.

“Parece que os grupos de direita capturaram muito mais esse descontentamento”, avalia.

Para o historiador Lincoln Secco, da USP, as Jornadas de Junho se estenderam nos anos seguintes, em especial com protestos como os contra a Copa, as manifestações de 2015 e o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016. “(Esses eventos) foram uma continuidade de junho”, opina.

O professor afirma que a direita capturou o movimento ainda em 2013. “Junho começou como um protesto de esquerda, anti-institucional e com uma pauta definida (as tarifas de transporte). A leitura da mídia e uma insatisfação da classe média com o PT transformaram junho em um movimento de direita com uma pauta imprecisa: a crítica generalizada dos governos e dos serviços públicos”, complementa.

Novos movimentos

A partir de 2013, grupos como o Movimento Brasil Livre, Vem para Rua e Revoltados On Line ganharam visibilidade por convocar, por meio das redes sociais, manifestações em diferentes cidades. E, em 2015, esses mesmos grupos participaram da organização de novas manifestações, dessa vez pelo impeachment de Dilma Rousseff, contra o PT e a favor da Lava Jato. A esse grupo se juntaram também os que pedem intervenção militar.

Mas a socióloga e historiadora Regina Helena Alves da Silva, coordenadora do Centro de Convergência de Novas Mídias da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), observa que esses grupos e, principalmente, o que pensam e querem não apareceram em 2013.

“Em 2010 fizemos uma grande pesquisa sobre as eleições de 2010 e lá estavam os grupos que depois se organizaram como Vem pra Rua, Revoltados, etc. Em certa medida, a direita se organiza em rede e online há bastante tempo, existe uma infinidade de grupos e debates nessa direção que passam a produzir conteúdos para a distribuição em todo o país”, observa Regina Helena, citando que esse material tem conteúdo conservador e até moralista.

Ela diverge do colega da USP em relação à “captura” pela direita das Jornadas de Junho.

“2015 constrói a narrativa de que 2013 foi um movimento da direita, claramente não foi. Podemos até verificar essa hipótese olhando pra multiplicidade de cartazes nas ruas, pedindo reforma política, fim da Polícia Militar, transporte, justiça social, moradia, jornada de trabalho, igualdade para mulheres e LGBTs, passe livre e Tarifa Zero, e questionando atos dos políticos”, afirma a professora, que organizou o livro Ruas e Redes: Dinâmicas dos ProtestosBR.

Por sua vez, o Mídia Ninja, que se projetou ao cobrir os protestos de 2013 ao vivo e está no campo mais à esquerda do espectro político, continuou registrando manifestações e cenas de violência policial.

O Movimento Passe Livre, que iniciou os protestos, chegou a ter seu fim anunciado por um dos integrantes, mas voltou a funcionar.

“O MPL mudou muito. A gente costuma dizer que ele se reconstruiu por causa das mulheres. É um movimento em sua maioria feminino”, diz Sofia Salles, integrante do grupo que foi às ruas, à época, com apenas 16 anos. Hoje, diz ela, o MPL prioriza a questão do transporte na periferia.

E novos movimentos, alguns deles reunindo pessoas de diferentes correntes e partidos, como o Agora! e o Livres, também foram criados.

Um novo junho?

Segundo os professores Solano e Jimenez-Martinez, o que difere 2013 do momento atual é que hoje há uma deterioração da economia e da política, cenário bastante distinto do que o país se encontrava naquela época, quando havia bastante otimismo, em especial do resto do mundo, em relação ao Brasil.

“A gente não pode pensar que o que está acontecendo agora (com recente a greve dos caminhoneiros) é 2013 outra vez porque a situação é muito diferente, o contexto é muito diferente”, observa Jimenez-Martinez, lembrando que a popularidade da então presidente Dilma Rousseff estava em alta havia cinco anos. Naquela época, ainda havia estabilidade política, e eram poucos os indicativos de que uma tormenta econômica estava a caminho.

A greve dos caminhoneiros, diferentemente de junho de 2013, já começou com uma pauta dispersa e abstrata, na qual os aumentos consecutivos do preço do combustível são vistos como resultado da corrupção e da tributação exagerada, avalia Secco.

Apesar de acharem que, a partir da greve, há a possibilidade de uma escalada dos protestos no país por meio de setores específicos ou categorias profissionais, os professores não veem um novo 2013 no horizonte próximo.

“Não acho que os caminhoneiros podem detonar um “novo 2013″, primeiro porque são fruto de formatos de mobilização e ação muito antigos e conservadores, são dispersos em demandas e se mostraram claramente influenciados pelos donos de empresas da área”, avalia Regina Helena.

Esther Solano, por sua vez, acredita que as manifestações, com a proximidade do pleito, tendem a se partidarizar.

“Não acho que a gente consiga ter um novo junho. Foi uma congregação de muitas pautas e muitos grupos. Mas vai ser obviamente um clima de maiores mobilizações, acho que serão mais partidárias porque teremos as eleições. Vamos assistir a mais manifestações de setores, de categorias profissionais como agora os petroleiros, de setores mais à direita ou à esquerda, mas não acho que teremos um amalgama de muitos grupos indo (juntos) para rua”, diz Solano.

Ela avalia ainda que, desde “o impeachment (de Dilma Rousseff) e a prisão do ex-presidente Lula, é muito difícil encontrar grupos com diferentes perspectivas, tendências, ideologias e preferências, juntos, num mesmo espaço de rua”.

Jimenez-Martinez, por outro lado, é menos categórico. Disse ter aprendido que “no Brasil não é possível prever o imprevisível”.

Mas na visão do professor, o país deixou escapar uma grande oportunidade de se transformar em um líder mundial. A situação de agora, diz, só reforça o desapontamento entre os que um dia sonharam com um futuro promissor para a nação em curto espaço de tempo.

Solano tem uma opinião diferente.

“Não exatamente acho que o país perdeu uma oportunidade. Oportunidades de mudanças são algo que a sociedade vai construindo continuamente. A mudança que estava se pedindo é tão estruturante, que não poderia ter sido atingida em um curto espaço de tempo.”

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